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Raquel Rei e Ana Areias, as criadoras da Madre Alvaro Martino
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Madre: objectos para quem gosta de estar à mesa

"Mesa" é a primeira colecção da marca criada pelas designers Ana Areias e Raquel Rei. Para ajudar a "usufruir dos momentos à mesa", em casa ou no escritório

Tudo começa e acaba na mesa. De café, de jantar, de trabalho. Foi da mesa, e para a mesa, que surgiu a Madre, marca de objectos criada pelas designers de comunicação Ana Areias e Raquel Rei que assim se decidiram desviar um pouco da sua área de formação para projectarem a três dimensões.

Os objectos que desenvolveram revelam todo esse “background” gráfico. As linhas são simples, minimais, contemporâneas, de clara inspiração escandinava e japonesa. Os materiais — cerâmica, madeira, mármore e latão — contrastam naturalmente entre si. As cores neutras, sempre entre o branco, o cinzento e castanho, não escondem a matéria, antes “a fazem brilhar”. As peças iguais são encaixáveis e de arrumação fácil, permitindo fazer 1001 combinações. Além disso, têm diversas vocações, podendo ser utilizadas no escritório ou em casa: aquele pequeno copo tanto pode servir café como guardar clipes. Lá está, tudo depende da mesa.

“Mesa” é apropriadamente o nome da primeira colecção da marca nascida em Junho, mas em ebulição desde Setembro de 2015, quando numa viagem “inspiradora” a Berlim se deu (à mesa de café) uma daquelas conversas capazes de mudar vidas. “O que faríamos se não fôssemos designers gráficas?”, perguntavam-se Ana e Raquel, que se conheceram no colectivo We Came From Space. A resposta materializou-se na Madre — “se calhar” uma motivação inicial “um bocadinho egoísta”, reconhece Raquel, de 29 anos. “Mas aquilo que queremos”, acrescenta Ana, de 27, “é passar para os nossos produtos aquilo que gostamos de absorver noutros objectos ou de que sentimos necessidade no dia-a-dia”.

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Começaram por fazer durante alguns meses uma formação com um artesão em cerâmica, material à partida “mais acessível e fácil de dominar” e aquele em que não estão dependentes de outras pessoas. Montaram no piso inferior da We Came From Space, em Vila Nova de Gaia, o pequeno estúdio da Madre (no cimo das escadas, está o computador e o design gráfico) e é lá que qualquer interessado pode conhecer as peças ao vivo. Há copos maiores, que tanto podem levar canetas como chá, vasos, para plantas ou “snacks”, e pequenos recipientes, para objectos de escritório ou qualquer outra coisa. Todos feitos à mão, diferentes a seu modo, mas perfeitamente encaixáveis — responsabilidade da madre, a “peça-mãe” que gera os moldes e que baptizou a marca.

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Depois, há tábuas de madeira, quadradas ou em círculo (duas meias luas), que também passam por tabuleiros de servir, e tampas circulares de diversos tamanhos, para cada um dos recipientes ou não. Por fim, chegaram agora as pequenas colheres de latão e, em breve, estarão pronto as peças de mármore, nomeadamente pisa-papéis. Como os produtos são "modulares", todos são vendidos individualmente e aqueles que já estão prontos têm preços que vão dos 4 euros aos 25. Podem ser comprados na loja online, no estúdio na We Came From Space (convém combinar antes) e, em Dezembro, na “pop-up” que a Madre vai abrir no Manifesto, em Matosinhos. Todos os objectos de cerâmica podem ser lavados à máquina, ir ao forno ou ao microondas — e nenhum fica a escaldar: “Aqui também há alguma inspiração japonesa: [eles dizem que] se está muito quente para pegares, então também está muito quente para beberes”, diz Ana.

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No horizonte estão outras colecções, que invariavelmente irão partir da mesa: uma linha têxtil para a cozinha, uma de material de escritório para o trabalho. Gostam de objectos, ponto. E de estar à mesa. E esperam que os seus produtos o transmitam, confessa Raquel: “Queremos que as peças convidem a um certo consumismo lento, que ajudem as pessoas a usufruir dos momentos quando estão à mesa, em casa ou no escritório”. Porque "demoram a fazer”, mas também “a ver, a utilizar”, a apreciar, enfim. E “são para durar muito tempo, não são descartáveis”. O “tempo”, diz a designer, é “importante” na Madre e muda tudo. “Se no design gráfico parece que tudo o que é para ontem pode ser feito hoje, aqui não”, conclui Ana. Porque há que produzir os moldes, deixar secar, esperar pelo forno, fazer uns quantos testes errados e outros certos. Não dá para apressar. “O tempo é muito diferente cá em baixo do que lá em cima. E isso dá equilíbrio ao dia-a-dia”.