Concluídos relatórios das autópsias aos militares do curso do Comandos

Os dois militares morreram no início de Setembro na sequência de um treino em Alcochete.

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PBC PEDRO CUNHA - PÚBLICO

O Instituto de Medicina Legal de Lisboa enviou os relatórios finais das autópsias aos dois militares que morreram durante um treino dos Comandos para o Departamento de Investigação e Acção Penal de Lisboa (DIAP) e para o Ministério Público de Benavente, onde decorrem as investigações, confirmou ao PÚBLICO Mário Martins, assessor de imprensa do Instituto de Medicina Legal.

O relatório de Dylan Silva chega ao DIAP um dia depois do relatório de Hugo Abreu ter sido enviado ao Ministério Público.

De acordo com o instituto, o “relatório da autópsia do militar Hugo Miguel Pita Abreu, realizada no dia 6 de Setembro de 2016 no Gabinete Médico-Legal e Forense da Península de Setúbal, foi enviado esta-quinta feira ao Ministério Público de Benavente (Comarca de Santarém), entidade que ordenou a sua realização”.

O segundo relatório, correspondente à “autópsia do militar Dylan Araújo Silva, realizada no dia 10 de Setembro de 2016 na Delegação do Sul do INMLCF” foi enviado ao DIAP esta sexta-feira.

Em nota do conselho directivo do organismo público, o instituto esclarece que as duas autópsias "implicaram a realização de exames complementares de Toxicologia Forense e Anatomia Patológica Forense". A entrega dos relatórios cumpre assim o prazo previsto anunciado pelo Instituto de Medicina Legal já avançado pelo PÚBLICO na quarta-feira, uma vez que os exames toxicológicos estavam concluídos e aguardavam a conclusão dos exames de anatomia patológica. O comunicado destaca que ambos os relatórios foram entregues num prazo inferior ao previsto.

Neste momento está também em curso um inquérito disciplinar ao médico do curso de comandos em serviço, confirmou o bastonário da Ordem dos Médicos, José Manuel Silva na terça-feira. O militar que assistiu os dois alunos foi imputado pela Polícia Judiciária (PJ) como responsável e deverá ser interrogado também como arguido nos próximos dias, juntando-se assim aos dois enfermeiros já ouvidos pela procuradora Cândida Vilar,  que dirige o inquérito-crime que ocorre no DIAP. No inquérito penal está a ser investigado o crime de abuso de autoridade por agressão, previsto no Código de Justiça Militar, segundo informação avançada pela Procuradoria-Geral da República (PGR).

Além destas investigações, decorre um processo interno de averiguações aberto pelo Exército que ditou até ao momento dois processos disciplinares.

A primeira vítima, o segundo furriel Hugo Abreu, com 20 anos, entrou em paragem cardiorrespiratória pouco depois das 20h30, quatro horas e meia após ter entrado na enfermaria. Dylan Silva, também com 20 anos ainda chegou a ser transportado para o hospital naquela noite, mas acabou por morrer no sábado seguinte.

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