Opinião

A Fenprof incomoda, mesmo, muita gente...

João Tavares teria este serviço a cumprir, mas, talvez, porque a encomenda tivesse urgência, acabou por ser descuidado, o que surpreende, pois concorde-se ou discorde-se dele, e, normalmente, discorda-se, reconhece-se cuidado e coerência no que escreve ou diz.

A direita anda entre o assustado e o desorientado. Incapaz de fazer oposição credível, e cada vez mais radicalizada nas suas posições, dispara em todos os sentidos, incluindo os dos pés. O problema da direita é saber que, por muito más que sejam as políticas desenvolvidas pelo atual Governo, e algumas são, as soluções que teria, caso ainda governasse, seriam muito piores. E a direita sabe que os portugueses também sabem isso, daí o seu afundamento, por exemplo, em sondagens e eleições ultimamente realizadas.

Face à situação, os seus dirigentes, deputados, assessores e comentadores de serviço desdobram-se no esforço de branquear políticas anteriores, mas parece não haver lixívia que alcance o feito.

Alvo preferido da direita são, agora, os Sindicatos, em particular a Fenprof, e, cirurgicamente, o seu secretário-geral, que foram transformados em cepo das suas investidas. Este ataque aos sindicatos e aos sindicalistas (não incluindo aqui os que, quando no poder, a direita usa como calçadeira, medindo, depois, todos pela mesma bitola) não é novo, mas neste momento persegue dois objetivos: i) fazer crer que as políticas atuais são iguais ou piores que as suas, a diferença está no nível da contestação sindical; ii) fragilizar os sindicatos preparando, assim, terreno para um futuro que a direita não vê próximo, nem fácil de atingir.

João Tavares teria este serviço a cumprir, mas, talvez, porque a encomenda tivesse urgência, acabou por ser descuidado, o que surpreende, pois concorde-se ou discorde-se dele, e, normalmente, discorda-se, reconhece-se cuidado e coerência no que escreve ou diz. No caso em apreço, contudo, espalhou-se ao comprido. Senão repare-se:

- Vem falar no desaparecimento do secretário-geral da Fenprof logo no dia em que este apareceu a entregar no tribunal uma ação contra o Ministério da Educação;

- Dá como exemplo de silenciamento o da falta de assistentes operacionais nas escolas, que é, precisamente, o principal problema denunciado pela Fenprof nesta abertura de ano letivo, tendo sido o seu secretário-geral, quem, publicamente, denunciou o problema com exemplos concretos, um deles, até, citado por Tavares no seu escrito: a escola de Canelas;

- Afirma que o site da Fenprof mantém o tom crítico habitual, para acrescentar que o que mudou radicalmente foi o número de intervenções de Mário Nogueira, parecendo, por um lado, que o secretário-geral da Fenprof é alheio ao tom das tomadas de posição da organização que coordena, mas, por outro lado, é culpado por os grandes meios de comunicação social, incluindo o jornal em que escreve, não acompanharem as iniciativas para que são convidados (conferências de imprensa, encontros, plenários, e muitas outras), preferindo ignorá-las.

Não, a Fenprof não muda ao sabor dos governos e só há um interesse que serve: o dos professores que representa! Bastaria a Tavares ver, ouvir e/ou ler, com mais atenção, o que está no site da Fenprof (e quem sabe se não o fez…) para perceber por onde tem andado Mário Nogueira. Porém, se o fizesse (ou reconhecesse o que nele encontrou), lá se ia a oportunidade de servir a grande casa que o acolhe, tendo mesmo, provavelmente, de criticar os órgãos de comunicação social que compram a sua presença. Ora, até os bichinhos sabem que não se morde a mão que os alimenta.

O Departamento de Informação e Comunicação da Fenprof