Quatro lisboetas são o rosto de uma campanha contra a discriminação

A Câmara de Lisboa identificou os preconceitos “de que é urgente falar”: a discriminação da etnia cigana, das pessoas provenientes de bairros sociais, de homo e transsexuais. Os cartazes com as suas histórias estão nas ruas da capital.

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Os cartazes de Cátia Figueiredo, Carla Moreira e Bruno Oliveira

Dos quatro cartazes previstos para a campanha Somos de combate ao preconceito em Lisboa, três já estão nas ruas. O de Carla Macedo, o de Bruno Oliveira e o de Cátia Figueiredo. Falta o de Kiki, que dentro das próximas semanas deve chegar às ruas.

A campanha, de iniciativa da Câmara Municipal de Lisboa, pretende dar rosto e voz aos preconceitos vividos na cidade. O gabinete do vereador dos direitos sociais identificou aqueles “de que é urgente falar”, explicou esta segunda-feira aos jornalistas o assessor Sérgio Xavier: a discriminação da etnia cigana, das pessoas provenientes de bairros sociais, de homo e transsexuais. Desde a passada segunda-feira que a campanha está nas ruas.

Carla Macedo, de 29 anos, é assistente social na associação Humanidades, onde trabalha no apoio e acompanhamento de jovens mães. Apesar de, como se lê no seu cartaz, “todos os dias lutar por uma cidade sem discriminação”, vê-se frequentemente alvo dela por ter crescido num bairro social. Cresceu no bairro do Rego, de onde não esconde o orgulho de pertencer, mas reconhece que a diferença não é bem aceite, nem dentro da comunidade.

Kiki, como se quer apresentar, é transsexual. Em 50 anos, convive com a discriminação “quase todos os dias”, motivo que a leva a associar-se a campanhas como esta, de “humanização de quem fica tantas vezes à margem”, conta ao PÚBLICO. É dona de um spa misto LGBT e hetero-friendly e em breve o cartaz com a sua foto e a sua história sairá à rua.

Cátia Figueiredo, que não pode estar presente no almoço de apresentação da campanha, é presidente da rede ex aequo - rede de apoio a jovens LGBTI -, onde tenta combater o isolamento e o julgamento de que são alvo pessoas que, como ela, são homossexuais.

Tal como Carla, Bruno Oliveira, de 34 anos, viu a sua origem ser um motivo de exclusão. Pertence à etnia cigana e, “orgulhosamente”, segue a lei da sua comunidade. “É uma escolha minha. Tenho muito orgulho nisso e a minha comunidade também.” Comunidade que aplaudiu a coragem de Bruno, mediador sociocultural no Hospital Dona Estefânia, ao tomar esta posição pública na campanha.

Coragem e compromisso aplaudidos também pelo vereador João Carlos Afonso. “A promoção da igualdade é uma obrigação do município”, reforçou, esta segunda-feira, Dia Municipal da Igualdade.

Esta é a primeira vez que o projecto Somos sai à rua. A ser desenvolvido há quase um ano pela autarquia, o projecto tem feito acções de formação pontuais, quer internamente, quer para a comunidade, com vista à sensibilização e formação sobre direitos humanos. Para Abril, está prevista uma nova semana de formações.

Notícia corrigida às 17h53 de 25/10/2016 O nome correcto é Carla Macedo e não Carla Moreira

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