Cristas diz que fica na CML mesmo que perca as autárquicas

Presidente do CDS-PP em entrevista ao Diário de Notícias: “É perfeitamente possível conciliar uma oposição à câmara e ao governo até às legislativas.”

Assunção Cristas, entre os deputados Telmo Correia e Nuno Magalhães, num debate quinzenal na Assemblia da República
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Assunção Cristas, entre os deputados Telmo Correia e Nuno Magalhães, num debate quinzenal na Assemblia da República dro Daniel Rocha

Só no fim de Março do próximo ano se conhecerá o que quer fazer Assunção Cristas, a presidente do CDS-PP, na câmara de Lisboa, mas enquanto o programa para se apresentar como candidata à presidência da autarquia não chega, fica-se a saber que uma das metas é superar os resultados que tiveram Maria José Nogueira Pinto (5,9%) e o anterior líder do partido, Paulo Portas (7%).

Em entrevista ao Diário de Notícias, a líder dos centristas diz que “é perfeitamente possível conciliar uma oposição à câmara e ao governo até às legislativas” e, para o demonstrar, faz críticas ao executivo e à autarquia: defende que o Orçamento do Estado (OE) “é muito mau” e que “as obras em todo o lado [em Lisboa], ao mesmo tempo, não são um sinal de respeito para com os habitantes da cidade”.

As eleições autárquicas que se avizinham são precisamente um dos eixos desta conversa com Cristas, uma conversa em que assegura que está disposta a trabalhar muito para ser eleita presidente em Lisboa e que, no cenário mais provável de vir a ocupar um cargo de vereadora, não lhe faltará tempo para fazer oposição ao Governo de António Costa. “Tenho estado a fazer o trabalho de casa com tranquilidade para ter, obviamente, um projecto muito mobilizador para a cidade e para poder ambicionar o máximo”, diz, sublinhando que não deixará de assumir a vereação até ser candidata a primeira-ministra pelo CDS.

Embora não feche a porta a um eventual apoio do PSD, que continua sem apresentar um candidato para Lisboa, a líder centrista admite que não vê como provável essa possibilidade: “[…] Se o PSD encontrar um candidato, pois excelente; se a dada altura reflectir e achar que o melhor para eles e o melhor para a cidade é apoiarem-me, pois excelente também. Agora, eu não estou à espera disso, com toda a franqueza.”

Nas críticas à actuação da equipa liderada pelo socialista Fernando Medina – antigo vice-presidente de Costa e candidato do PS a Lisboa nas próximas eleições – Cristas afirma, entre outras coisas, que “é pouco” centrar toda a actividade de uma câmara nas obras em praças e “em festas e foguetes”.

Está preocupada, a nível social, com a situação de muitos idosos na capital, o que não surpreende já que, como reforça, Lisboa é uma das cidades europeias mais envelhecidas e o tema da demografia, em particular o que diz respeito à natalidade e às condições em que vive a população mais velha, é por tradição caro ao CDS-PP. “[…] Certamente que a praça ficará bonita, mas se nós não tivermos ninguém que vá a casa dos idosos, tirá-los de um quinto andar sem elevador para os levar lá a poder usufruir dessa praça é muito poucochinho.”

Nesta entrevista em que assume que é “natural que em muitos casos as coligações [com o PSD] se mantenham” nas próximas eleições, Assunção Cristas defende ainda que há “um problema crescente no Metro, na Carris”, mas não se compromete com um cenário em que, chegada à presidência, procuraria chamar a si a tutela destes transportes.

Pedindo cautela com as leituras que se farão dos resultados das autárquicas, diz também que não está a pensar que a sua permanência na liderança do partido dependa dos votos que obtiver: “Nem sequer isso me passa pela cabeça, porque o que me passa pela cabeça é trabalhar para ter um excelente resultado em Lisboa.”

Quando as questões passam para a área do OE e do Governo, a líder centrista é incisiva: “A política económica que [a esquerda] defendeu e que quis prosseguir já mostrou ser um falhanço, uma política assente no consumo e na reposição dos rendimentos.” E a proposta orçamental apresentada “é o retrato do falhanço dessa política económica”. Se Cristas fosse Governo, a devolução de salários dos trabalhadores do Estado seria “mais gradual” e a reposição do horários das 35 horas nunca teria acontecido, porque dá “um sinal errado”, traz mais custos e conduz à “degradação” dos serviços públicos.

Apesar de tudo, Assunção Cristas defende que o facto de haver um OE que pode ser aprovado e apresentado a Bruxelas é positivo: “Este Orçamento é mau, mas era pior não termos nenhum.”