Temporada de São Roque aposta nas sonoridades da música portuguesa

Da música sacra do século XVI à ópera do século XXI, passando pela evocação dos 200 anos da morte de D. Maria I, em 12 concertos.

Pela primeira vez a Temporada de Música em São Roque apresenta uma ópera: <i>O Corvo</i>, pela Companhia Teatral Inestética
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Pela primeira vez a Temporada de Música em São Roque apresenta uma ópera: O Corvo, pela Companhia Teatral Inestética DR

O programa Caminhos espirituais da música orquestral, interpretado pela Orquestra Gulbenkian e pelos cantores Patrycja Gabrel e Manuel Rebelo, dirigidos por Jan Wierzba, inaugura esta noite (às 21h) a 28.ª Temporada de Música em São Roque, promovida pela Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML). A Sinfonia al Santo Sepolcro RV 169, de Vivaldi; o virtuosístico motete Exultate Jubilate, escrito por Mozart para o castrato Venanzio Rauzzini; o famoso Adagio de Samuel Barber; e as Cinco Canções Bíblicas, op. 99, de Dvorák,  constituem o cartão de visita de uma série de 12 concertos que, em contraste com esta proposta inicial, dão especial destaque à música portuguesa. Também no plano da interpretação, dominam os músicos nacionais de várias gerações que, até 20 de Novembro, irão apresentar-se em espaços tão emblemáticos do património histórico e artístico da SCML como a Igreja de São Roque, o Convento de São Pedro de Alcântara e o Mosteiro de Santos-o-Novo.

A edição de 2016 inclui pela primeira vez uma ópera, neste caso O Corvo, com texto de Edgar Allan Poe e música de Luís Soldado, pela Companhia Teatral Inestética (dia 23, às 16h30, no Mosteiro de Santos-o-Novo). O poema The Raven/O Corvo, traduzido por Fernando Pessoa, serviu de inspiração e base estrutural para esta ópera de câmara destinada a um barítono, uma bailarina e três instrumentistas.

A 28 de Outubro (Igreja de São Roque, às 21h), o Concerto Atlântico de Pedro Caldeira Cabral interpreta música mariana do século XVI, proveniente de cancioneiros e colectâneas polifónicas ibéricas e italianas, e no dia 30 (Convento de São Pedro de Alcântara, às 16h30), os Sete Lágrimas revisitam o projecto Diáspora, com música popular e erudita do século XVI ao século XX, em Portugal e no mundo. A época quinhentista é também o centro do concerto do Grupo Vocal Olisipo (6 de Novembro) através do programa Vocem flentium: A Voz do Pranto, que compreende criações de compositores portugueses, espanhóis, italianos, flamengos e ingleses inspiradas no texto do moteto Versa est in luctum (tirado do Livro de Job).

Numa viagem no tempo, quase século a século, será possível apreciar ainda a música dedicada às Vésperas da Beata Virgem pelo notável compositor do século XVII, João Lourenço Rebelo, no concerto da Capella Joanina & Flores de Mvsica dirigido por João Paulo Janeiro (11 de Novembro)  e descobrir uma oratória do século XVIII com a estreia moderna de Il Trionfo di Davidde, composta por Brás Francisco de Lima em 1785, por iniciativa da Orquestra de Câmara de Sintra (4 de Novembro). Desperta também curiosidade o programa proposto por Ricardo Bernardes e pelo seu grupo Americantiga Ensemble, num concerto encenado com a colaboração da companhia teatral 33 Ânimos: D. Maria I - 200 Anos: Música para a Rainha de Portugal e Brasil (repertório luso-brasileiro dos séculos XVIII e XIX).

O Coro do Teatro de São Carlos cantará música do romantismo (18 de Novembro) e o universo ibérico do século XX preenche o recital do pianista António Rosado, com obras de António Fragoso, Mompou, Albéniz, Armando José Fernandes e Freitas Branco (7 de Novembro). O encerramento, a 20 de Novembro, reúne o Coro Juvenil e Orquestra de Cordas do Instituto Gregoriano de Lisboa, a Orquestra Clássica Metropolitana e o Coro da Universidade Nova de Lisboa. Além do famoso Requiem de Fauré, serão interpretadas peças de Alfredo Teixeira, Pinho Vargas, E. Carrapatoso e Nuno da Rocha.