Governo apoia criadores de gado afectados pela seca no Baixo Alentejo

De Junho a Agosto, o calor que se fez sentir levou ao aumento do consumo de água, que se esgotou em charcas e aquíferos, um problema sentido sobretudo em Aljustrel, Almodôvar, Barrancos, Beja, Castro Verde, Mértola, Moura e Serpa.

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Enric Vives-Rubio

A escassez de água para o abeberamento do gado em muitas explorações do Baixo Alentejo alertou o ministro da Agricultura, Capoulas Santos, para a necessidade de aprovar medidas de apoio para tentar atenuar os efeitos da seca, que “está a colocar em causa” a viabilidade do sector pecuário na região. Assim, vão ser disponibilizados três milhões de euros que serão destinados à abertura de furos artesianos e à aquisição de equipamentos de bombagem e de transporte de água.

A tutela diz estar a acompanhar “com preocupação” a situação climatérica “adversa”, frisando que o fenómeno de seca “se acentuou nos meses de Junho a Agosto”, período em que se registaram desvios na temperatura ambiente superiores a 4ºC face aos valores normais, uma situação anómala que “provocou uma evaporação anormalmente elevada para a época”, assinala.

Estes factores favoreceram o aumento do consumo de água e provocaram o seu esgotamento precoce em pequenos reservatórios (charcas) e em aquíferos que constituem o recurso para o abeberamento do efectivo pecuário em regime extensivo nas zonas mais afectadas nos concelhos de Aljustrel, Almodôvar, Barrancos, Beja, Castro Verde, Mértola, Moura e Serpa.

Confrontado com os apelos dos produtores pecuários, o ministro da Agricultura decidiu adoptar, com “carácter de urgência”, um conjunto de medidas para apoiar as situações mais críticas na região sul do país e que foram nesta quinta-feira publicadas em Diário da República. Consistem num apoio global de três milhões de euros que se destinam a financiar a abertura de novos furos para captação de água e a aquisição de equipamentos para a sua bombagem e transporte. Cada beneficiário pode apresentar uma única candidatura e receber até um montante máximo de 10 mil euros.

O apoio é concedido sob a forma de subvenção não reembolsável, até ao limite de 80% ou 50% da despesa elegível, consoante o beneficiário tenha ou não tenha seguro agrícola.

Manuel Garrido, presidente da Associação de Criadores de Ovinos do Sul (ACOS), disse ao PÚBLICO que a decisão tomada pelo ministro da Agricultura “é satisfatória” e vem ao encontro de uma proposta que apresentaram "a solicitar apoios aos produtores pecuários afectados pela situação de seca que continua a viver-se no Alentejo”.

O ministro “respondeu positivamente”, refere o dirigente da ACOS, com base numa medida que já tinha sido utilizada nas explorações no Norte e centro do país afectadas pelos fogos. Desta vez vai ser accionada para combater os efeitos da seca.

Capoulas Santos lembra que a região do Baixo Alentejo tem sido “bastante castigada pela seca ao longo dos anos, razão pela qual os produtores são sistematicamente obrigados a esforços redobrados para manterem a sua actividade, que é de grande importância para a região e para o país”.

No entanto, Manuel Garrido lembra que a situação continua crítica. “Mesmo que chova o que está previsto para os próximos dias, não aquece nem arrefece para a criação de reservas de água. Têm de vir umas chuvadas valentes para repor as reservas hídricas na região”, sublinhou.

As declarações de prejuízo podem ser apresentadas pelos produtores pecuários até ao próximo dia 10 de Novembro e os pedidos de apoio deverão ser submetidos através de formulário electrónico até dia 21 do mesmo mês. A Direcção Regional de Agricultura e Pescas do Alentejo dispõe de um prazo até 15 de Dezembro para fazer a verificação dos prejuízos declarados e o investimento terá de ser concretizado até ao dia 31 de Dezembro.