GNR faz buscas em quinta de amigo de suspeito dos crimes de Aguiar da Beira

Dono da propriedade diz que não vê amigo há anos. Durante o dia as autoridades estiveram em várias aldeias de Vila Real.

Local onde foi encontrado o carro com o militar da GNR na mala, que acabou por morrer.
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Local onde foi encontrado o carro com o militar da GNR na mala, que acabou por morrer. Hugo Santos

Ao início da tarde desta quarta-feira, a GNR realizou buscas na Quinta da Gregoça, em Sabrosa, Vila Real, onde vive um amigo do suspeito dos crimes de Aguiar da Beira. A GNR, que está a colaborar com a Polícia Judiciária neste caso, esteve durante o dia em várias aldeias de Vila Real, concentrando à noite os meios na zona de Gache.  

"Temos acesso a um conjunto de informação que só conseguimos despistar no terreno", explicava ao início da noite o major Paulo Gomes, oficial de serviço no Centro de Comando e Controlo Operacional da GNR. O responsável adiantou que desde domingo que a GNR tem, em Vila Real, um forte dispositivo policial, que integra membros do Grupo de Intervenção de Operações Especiais, negociadores e equipas cinotécnicas. 

O proprietário da Quinta da Gregoça disse esta quarta-feira à Lusa que não vê o amigo há seis ou sete anos.

"Desde que ele foi para África do Sul, isto há seis ou sete anos, que não o vejo, apenas falo com ele ao telefone três a quatro vezes por ano. Aliás, nem sabia que ele tinha tido um bebé", contou.

Os jornalistas conseguiram observar algumas diligências policiais no local, mas só à distância.

O dono da quinta afirmou que desde que aconteceram os crimes em Aguiar da Beira que a GNR faz visitas diárias ao local, tendo inclusive já sido interrogado. E acrescentou: "Nunca apreenderam nada, como é óbvio".

No dia em que soube dos crimes e se falou no nome do suspeito, o proprietário relatou que lhe telefonou "logo", mas o telemóvel estava desligado.

"Como é lógico, se o visse nunca o ia ajudar, mas fazia tudo por tudo para que ele se entregasse", garantiu.

O proprietário relatou que é amigo do suspeito, tendo-o conhecido há 15 ou 20 anos através de um colega em comum.

"Depois, desde aí, comprei-lhe o meu primeiro cavalo e nunca mais tivemos negócios", salientou. E realçou: "Que saiba, não tem outros conhecidos aqui na região".

A GNR mantém um dispositivo no terreno para tentar deter o suspeito, centrando atenções na zona de Vila Real, de forma mais discreta, avançou à Lusa o responsável pelas relações públicas da GNR, major Marco Cruz.

O fugitivo é suspeito de matar um militar e um civil, em Aguiar da Beira, distrito da Guarda, além de ter causado ferimentos a outras duas pessoas, uma delas também militar da GNR, e tem sido procurado pela GNR e pela Polícia Judiciária desde o dia 11, data dos primeiros acontecimentos.

Na fuga, o homem terá sido já localizado em Arouca, distrito de Aveiro, de onde é oriunda a sua família, e na zona de São Pedro do Sul, onde um militar da GNR se terá baleado a si próprio, numa queda.

No domingo, uma patrulha da GNR também terá localizado o suspeito, em Vila Real, mas o homem acabou por conseguir novamente fugir.

Na segunda-feira, ao final da tarde, junto à aldeia de Carro Queimado, foi encontrada a viatura que o homem terá roubado em Arouca para se deslocar até Vila Real.

Em Arouca, o homem também terá sequestrado duas pessoas, causando-lhes igualmente alguns ferimentos.