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Megafone

Novo presidente da CGD vai ganhar 423 mil euros? “Eu é mais bolos”

Sim, 423 mil euros por ano, 35250 euros por mês, 1602 euros por dia, 200 euros por hora, 3,33 euros por minuto

“Eu é mais bolos”, disse Herman José, ou José Severino, pasteleiro convidado por engano para o Hermanias Especial Fim de Ano, assim trazendo à língua portuguesa uma expressão ainda hoje repetida quando não estamos à vontade com um tema.

E porque “Eu é mais bolos”, Mário Centeno, ministro das Finanças, achou por bem pagar 423 mil euros por ano ao novo presidente da Caixa Geral de Depósitos, António Domingues.

“423 mil euros por ano?“, perguntam vocês. Sim, 423 mil euros por ano, 35250 euros por mês, 1602 euros por dia, 200 euros por hora, 3,33 euros por minuto, apenas porque, pura e simplesmente, Mário Centeno não se pode dar ao luxo de ter um presidente que, quando confrontado com os problemas da Caixa, se volte e diga: ”Eu é mais bolos“.

Mário Centeno não se pode dar ao luxo, mas os portugueses podem, deste modo pagando do seu bolso um salário que, pasme-se, até é mais baixo do que a mediana do sector bancário português.

Ora, no país do ordenado mínimo, dos recibos verdes, dos colaboradores, da geração dos 500 euros, dos pensionistas de 200 euros, do milhão de desempregados e dos 600 mil emigrados, por aqui se percebe o porquê de haver tão pouco para tantos e tanto para tão poucos.

E eu posso não ser bom a matemática, mas parvo não sou e 423 mil euros por ano são, nem mais nem menos, 423 mil tiros no pé de um Governo incapaz de limitar os salários dos gestores públicos ao vencimento do primeiro-ministro ou do Presidente da República. Porque de pouco importa ter o Cristiano Ronaldo dos bancos à frente da Caixa Geral de Depósitos se até o Cristiano falha penáltis independentemente do tamanho da conta bancária ou do vencimento mensal.

E como o salário de António Domingues até é mais baixo do que a mediana, então o mais provável é nem sequer termos contratado o Cristiano, mas o Paulinho Santos, o Secretário ou o Pesaresi. E, meus caros, se por acaso tivermos contratado o Pesaresi para a chefia da Caixa Geral de Depósitos, então receio ser apenas uma questão de tempo até que António Domingues se saia com um “Eu é mais bolos”.