Eduardo Cunha preso em Brasília

O ex-presidente da Câmara dos Deputados foi detido no âmbito da Operação Lava-Jato.

Foto
Reuters/ADRIANO MACHADO

O ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha foi detido nesta quarta-feira em Brasília, avança o jornal Folha de S. Paulo. Uma casa no Rio de Janeiro foi também alvo de buscas.

Eduardo Cunha é um dos suspeitos na Operação Lava-Jato, que investiga um mega-esquema de corrupção que envolve a petrolífera estatal Petrobras. De acordo com as autoridades, Cunha terá recebido subornos e utilizou uma conta bancária na Suíça para depositar o dinheiro.

Enquanto presidia a Câmara dos Deputados, Cunha conduziu o processo de impeachment da ex-Presidente, Dilma Rousseff, acusada de irregularidades orçamentais. Quando foi destituído, o antigo homem forte do Congresso considerou-se traído pelo seu aliado, o actual Presidente, Michel Temer, e prometeu retaliar. No Palácio do Planalto, sede da presidência, teme-se que Cunha possa vir a implicar elementos do núcleo duro de Temer, de forma a obter algum tipo de acordo com a justiça.

A detenção foi ordenada pelo juiz Sérgio Moro, que está à frente das investigações que envolvem Cunha desde que o ex-presidente da Câmara dos Deputados perdeu a imunidade parlamentar. Segundo uma nota da procuradoria federal do estado do Paraná, a detenção justifica-se por existir a "possibilidade concreta de fuga" do ex-deputado do PMDB, "em virtude da disponibilidade de recursos ocultos no estrangeiro". Eduardo Cunha foi detido perto do prédio onde mora em Brasília e foi levado de imediato para Curitiba num avião da polícia federal, segundo o jornal Estado de São Paulo.

O ex-presidente da Câmara dos Deputados disse que a decisão de Moro é "absurda" e desafiou a legalidade da sua detenção.A referida acção cautelar do Supremo, que pedia a minha prisão preventiva, foi extinta e o juiz, nos fundamentos do decreto de prisão, utiliza os fundamentos dessa acção cautelar", explicou, numa nota divulgada à imprensa brasileira.

Cunha foi afastado do cargo de deputado depois de um parecer demolidor do Conselho de Ética que o acusou de mentir a uma comissão de inquérito sobre as contas bancárias no estrangeiro.

Em Maio, o Supremo Tribunal Federal já tinha ordenado o afastamento de Cunha da presidência do Congresso para impedir que este viesse a obstruir as investigações, destruindo provas ou intimidando testemunhas – atendendo de resto a um pedido do Procurador-geral da República, Rodrigo Janot, para a sua suspensão. Em Julho, Cunha renunciou à presidência da Câmara.

Com a destituição, Cunha perdeu o chamado "foro privilegiado", que lhe conferia imunidade judicial, podendo apenas ser julgado pelo Supremo Tribunal. A sua mulher, a jornalista Claudia Cruz, também é suspeita na Lava Jato.

A procuradoria diz que Cunha terá recebido cinco milhões de reais (1,4 milhões de euros) que foram depositados em contas na Suíça, com origem em subornos relacionados com a explorações petrolíferas pela Petrobras em África. O político inisiste na sua inocência e diz que as contas bancárias pertenciam a trusts e não a si.