Documentos do FBI reabrem polémica sobre e-mails de Hillary Clinton

Revelada conversa entre um alto funcionário do Departamento de Estado e um agente, onde se propunha uma "troca de favores".

A candidata democrata durante a sua campanha.
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A candidata democrata durante a sua campanha. AFP/BRENDAN SMIALOWSKI

Documentos divulgados pelo FBI revelam que, no ano passado, um alto funcionário do Departamento de Estado propôs ao FBI mudar a classificação de correio electrónico enviado por Hillary Clinton quando era a chefe da diplomacia dos EUA, a troco de benecícios à polícia federal. O objectivo seria proteger a candidata democrata à presidência das acusações de crime e corrupção por ter usado uma conta pessoal para temas de trabalho, muitos deles classificados como confidenciais.

Segundo a documentação agora divulgada, um agente do FBI (a polícia federal de investigação) foi “pressionado” a mudar a classificação dos emails de Clinton por parte de um alto funcionário do Departamento de Estado, cujo nome foi apagado, e que estaria a agir por ordem do subsecretário de Estado, Patrick Kennedy, que sugeria uma troca quid pro quo

Em troca pela mudança de clasificação de emails relativos ao ataque contra o consulado americano em Benghazi, na Líbia, onde morreram quatro norte-americanos, entre eles o embaixador Chris Stevens, o FBI seria autorizado a aumentar os seus efectivos em algumas zonas "onde neste momento tem acessos proibido", por exemplo o Iraque.

Segundo o jornal The Guardian, nem o FBI nem o Departamento de Estado (equivalente ao ministério dos negócios estrangeiros) negaram esta conversa. Mas ficou claro que não foi Clinton - que pediu desculpa pelo uso indevido da conta privada; uma investigação do FBI concluiu não haver bases para uma acusação criminal contra a candidata - quem sugeriu a troca de favores. Estas conversas tiveram lugar antes de o FBI assumir a investigação sobre o uso indevido do email por parte de Clinton.

Os emails, trocados em 2012, continham informação confidencial do Governo americano sobre o ataque contra o consulado na Líbia. As mensagens foram enviadas para um servidor privado ao qual o email de Hillary Clinton estava associado. Nessa altura, Clinton estava à frente do Departamento de Estado, e por não ter usado um email institucional, violou protocolos e regras federais.

Quer o FBI quer o Departamento de Estado negaram esta segunda-feira que tenha havido uma troca de favores. Mas a revelação reavivou a polémica em torno dos emails, que tem sido usado por Donald Trump para atacar a adversária, acusando-a de crimes e corrupção.

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