Líder escocesa fará o que for preciso para manter país no mercado único

Nicola Sturgeon ameaça novo referendo à independência. Para Merkel, Reino Unido só terá acesso ao mercado único se aceitar a livre circulação de pessoas.

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Nicola Sturgeon levanta de novo a possibilidade de referendo À independência ANDY BUCHANAN/AFP

A chefe do governo autónomo escocês, Nicola Sturgeon, argumentou de novo a favor de um referendo sobre a independência da Escócia. Porque, defendeu, as circunstâncias serão muito diferentes de há dois anos: “Se este momento chegar, não será porque o resultado de 2014 não foi respeitado. Será porque as promessas feitas à Escócia em 2014 foram quebradas”, disse Sturgeon no discurso de encerramento da conferência do Partido Nacional Escocês (SNP), em Glasgow. 

O discurso deveria ser o ponto alto da semana. Mas, comenta o jornalista de Política do diário britânico The Guardian Andrew Sparrow, pareceu um pouco um anti-clímax. Porque o discurso de Sturgeon na quinta-feira, em que ameaçou convocar um segundo referendo, foi o que realmente marcou a semana. 

Sturgeon teme a inclinação do Governo britânico por uma saída da União Europeia em que o Reino Unido abandone o mercado único e a união aduaneira para assegurar o controlo da política de imigração, que já ficou conhecida como a opção “hard Brexit”. 

“Não tenham dúvidas. Foram os que se opõem à independência, os que estão à direita do Partido Conservador, que causaram a insegurança e a incerteza” em relação à saída do Reino Unido. “Cabe-nos agora a nós, defensores da independência [da Escócia], oferecer soluções melhores para os problemas que eles criaram”, disse a líder escocesa. Primeiro, Surgeon disse que iria tentar “trabalhar com outros partidos para tentar salvar o Reino Unido como um todo do destino de um hard Brexit”.

Mas, temendo que isso não aconteça, prometeu: “vamos propor novos poderes para manter a Escócia no mercado único mesmo se o Reino Unido sair.” E “se o Governo conservador rejeitar estes esforços, se insistir em levar a Escócia por um caminho que prejudica a nossa economia, que faz baixar os nossos padrões de vida, que causa danos à nossa reputação como um país aberto, acolhedor, diverso – então não há dúvidas, a Escócia tem de ter a possibilidade de escolher um futuro melhor”, disse.

A chanceler alemã Angela Merkel deixou, no mesmo dia, mais um aviso ao Reino Unido. O Governo de Londres não poderá esperar concessões em relação à liberdade de movimento se quiser manter o acesso ao mercado único – se assim fosse, outros países iriam pedir o mesmo, defendeu, num encontro da juventude democrata-cristã em Paderborn (Noroeste da Alemanha). “Se começar a fazer concessões na liberdade de movimento, amanhã vem outro país e diz: ‘também não quero tantos romenos e búlgaros’. E um terceiro virá e as forças extremistas da Europa virão a seguir e muito em breve estaremos todos a fechar de novo as nossas fronteiras”, disse – “e então já não haverá mais Europa”.

Assim, embora lamente a decisão do Reino Unido de sair da União Europeia na sequência de um referendo, Merkel garantiu que esta saída será sempre negociada “com a ideia de que os 27 estados-membros querem manter a Europa”.