Guterres terá uma mulher como secretária-geral adjunta

Alguns especialistas sugerem que o sucessor de Ban Ki-moon nomeie uma das candidatas que concorreram consigo, mas Guterres ainda não pensou em nomes.

Guterres diz que o sonho dos fundadores da ONU "permanece por cumprir"
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Guterres diz que o sonho dos fundadores da ONU "permanece por cumprir" DON EMMERT/AFP

António Guterres ainda não sabe o que vai mudar na sua vida, mas já fez saber que irá nomear uma mulher para secretária-geral adjunta. O novo secretário-geral da ONU – que venceu uma corrida onde o perfil favorito apontava para uma escolha feminina -, disse esta quinta-feira que é sua “firme intenção que seja uma mulher” a desempenhar o cargo de adjunta. Guterres falava esta quinta-feira na cerimónia de aclamação da sua nomeação para secretário-geral, cargo que assumirá a 1 de Janeiro de 2017.

Vários especialistas sugeriram que Guterres escolha uma das candidatas que participaram na eleição, mas o antigo primeiro-ministro português esclareceu que ainda não tem nenhum nome.

Guterres confessou também que ainda não ponderou "a sério" sobre tudo o que irá mudar na sua vida, mas antecipa a "perda de liberdade".  "É um dos aspectos que diria menos agradáveis desta função. Pelos vistos, será ainda pior do que era quando estava no Governo [português]. Apesar de tudo, o nosso sistema de segurança é muito eficaz, mas muito leve, o [nível] de ameaça é pequeno", comentou, em declarações aos jornalistas.

Essa mudança foi visível logo na cerimónia desta quinta-feira, na sede das Nações Unidas. Guterres chegou com o ministro dos Negócios Estrangeiros português, Augusto Santos Silva, e pelo embaixador de Portugal junto da ONU, Álvaro Mendonça e Moura. À saída, já aclamado pela Assembleia-Geral, Guterres foi acompanhado por um corpo de segurança pessoal, como exige o regulamento da organização. "Uma das situações mais desagradáveis a que terei de me habituar", desabafou o anterior alto-comissário para os Refugiados.

O futuro secretário-geral da ONU, que se diz surpreendido com a rapidez do processo, agradeceu ainda à família a “grande compreensão que tiveram em balançar esta campanha, porque isso vai causar enormes problemas a todos eles e todos foram de uma extraordinária solidariedade”, cita a agência Lusa.

Unidade dos portugueses foi "essencial"

A par dos agradecimentos à família, o antigo primeiro-ministro dirigiu-se também aos portugueses. "Esta extraordinária unidade dos portugueses, este extraordinário calor humano que senti, não só foi óptimo para o meu ânimo, como teve um impacto importante para ajudar naquilo que tiveram ocasião de ver: a unidade e consenso que se estabeleceu no Conselho de Segurança e na assembleia-geral."

"Deixo uma palavra enorme de agradecimento aos portugueses. Tive um apoio extraordinário do Governo português, do senhor Presidente da República, do Parlamento, dos diversos partidos políticos e de muita gente, muitas organizações. Senti-me rodeado de um enorme carinho e acho que isso contribuiu para esta vitória", acrescentou o português.

"Houve uma aceleração no fim que deixou toda a gente surpreendida e eu próprio me senti surpreendido. Fui sentindo que o carácter aberto deste processo, o facto de ter havido provas públicas, debates, me tinha favorecido, mas obviamente era muito difícil saber o que se ia passar dentro das paredes fechadas do Conselho de Segurança. Eu próprio fui surpreendido pela rapidez da decisão", confessou.

"Absolutamente consciente dos problemas e dos limites” da ONU, o futuro secretário-geral das Nações Unidas, que assume a pasta a 1 de Janeiro, disse que "o sonho dos fundadores da ONU permanece por cumprir" e coloca na agenda a dignidade humana.