Scott Audette/Reuters
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Trump é acusado de ser uma ameaça para os animais

Trump é acusado de abusos sexuais a várias mulheres? Pelos vistos, os animais também têm razões de queixa

A presidência de Donald Trump poderá ser “uma ameaça para todos os animais”. É esta a mensagem da última campanha divulgada pela Humane Society Legislative Fund, uma filial da The Humane Society of the United States, “a maior e mais eficaz organização de protecção animal a operar nos EUA e em redor do mundo, prestando cuidados e serviços a mais de 100 mil animais por ano” — especialista em temas como a caça, a comercialização e o abate de animais.

Ainda ecoam as últimas acusações de abuso sexual um pouco por todo o mundo e já há mais dedos apontados na direcção do republicano. Desta vez, o candidato é considerado uma ameaça para os animais.

O anúncio anti-Trump está associado à família do republicano. No vídeo surge uma fotografia dos filhos do candidato a segurar a carcaça de um leopardo que caçaram em África e Donald Trump Jr. aparece ainda a segurar o rabo de um elefante. A declaração da Humane Society sublinha que tanto os elefantes como os leopardos africanos estão marcados como espécies em via de extinção, o que significa que “os filhos de Donald Trump estão a usar as suas fortunas e tempo de férias para viajar pelo mundo acumulando as cabeças e peles dos animais mais raros e majestosos da terra”.

Segundo o The Washington Post, Donald Jr. manifestou interesse em ser apontado como secretário do Departamento do Interior. Se Trump for eleito, os filhos poderão tornar-se os seus principais assessores e estrategistas sobre questões relacionadas com a caça, uma perspectiva assustadora para os defensores do bem-estar animal.

A campanha da Humane Society Legislative Fund também é um protesto contra Forrest Lucas, um executivo do petróleo fundador de um grupo de defesa de agricultores que combatem organizações de direitos dos animais, e Bruce Rastetter, um empreendedor da agro-indústria em Iowa, Estados Unidos, que lutou contra a regulação dos locais de criação de animais. Os dois políticos fazem parte do comité de Donald Trump no campo da consultoria agrícola.

Para além da posição de protesto contra o candidato à presidência dos Estados Unidos, a Humane Society Legislative Fund comunicou o seu apoio a Hillary Clinton. O presidente da organização, Michael Markarian, salienta na publicação divulgada a 5 de Outubro que Trump “formou uma equipa de defensores dos “troféus de caça”, da criação de animais sem condições próprias, da pecuária intensiva e do abate de cavalos”. Enquanto a candidata democrata à Casa Branca tem “um forte histórico de tomar posições contra muitos destes problemas”.

A organização de defesa dos animais destaca as questões humanas que Clinton planeia enfrentar como presidente, bem como o forte registo relacionado com a protecção animal. Como senadora, promoveu legislação contra a luta de animais, a criação de animais para fins comerciais sem as condições mínimas de sobrevivência, e o abate de cavalos para alimentação humana. Como secretária de Estado, liderou os esforços internacionais para policiar o tráfico de animais selvagens. A Fundação Clinton lutou também contra a caça ilegal de elefantes e na página oficial da campanha da candidata estão detalhados os planos para proteger os animais e a vida selvagem. Os objectivos da democrata, de acordo com o The Huffington Post, incluem “trabalhar para eliminar o uso de antibióticos em animais por razões não terapêuticas” - um fenómeno que tem consequências desastrosas para os animais e para a saúde humana.

“Os Clinton parecem ter sentido há muito atracção pelos animais”, refere Michael Markarian, “enquanto os Trumps não, com dois filhos sendo mais conhecidos por matar animais como uma actividade recreativa”. Um argumento que completa ao dizer que Donald Trump “seria o primeiro presidente desde Harry Truman sem um animal de estimação na Casa Branca”.

A Humane Society defende que Trump representa a maior ameaça para a elaboração de políticas federais e para a implementação de leis de protecção animal pela influência que possui sobre várias agências responsáveis pela criação de políticas que afectam os animais, incluindo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, o Serviço de Pesca e Vida Selvagem, o Departamento de Gestão de Terras e os Institutos Nacionais de Saúde. Este cenário levou esta organização de protecção dos animais a defender publicamente a sua posição contra Donald Trump no decurso da campanha presidencial dos Estados Unidos.