FBI investiga pista russa no ataque aos servidores da campanha de Hillary

Presidente da campanha democrata diz estar a colaborar com a investigação e insiste na ligação de Trump a Moscovo, que “parece estar a fazer tudo o que pode em defesa” do candidato republicano.

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Hillary Clinton está a fazer campanha na Florida TIMOTHY A. CLARY/AFP
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Hillary Clinton está a fazer campanha na Florida TIMOTHY A. CLARY/AFP

O coordenador da campanha de Hillary Clinton diz que o FBI está a investigar se a Rússia esteve por trás do ataque aos servidores do Comité Nacional do Partido Democrata e do roubo de milhares de emails privados.

John Podesta explica estar a ajudar os investigadores e defende que “não é nenhuma coincidência” o facto de os seus emails terem sido publicados logo depois da divulgação do vídeo em que se ouve Donald Trump a gabar-se dos seus avanços sexuais (muitos não têm dúvidas de que o candidato republicano está a promover o assédio sexual).

O roubo dos emails é anterior, mas a WikiLeaks começou a divulgá-los precisamente na sexta-feira, dia em que foi divulgado o vídeo. A tese de Podesta é que Roger Stone, conselheiro próximo de Trump, terá tido “antecipadamente conhecimento” da fuga de informação. Stone já admitiu corresponder-se com o fundador da WikiLeaks, Julian Assange, e em Agosto escreveu no Twitter que esta organização deveria atacar Clinton e Podesta, um dos mais experientes conselheiros da candidata democrata às presidenciais de 8 de Novembro.

Numa entrevista à CNN, em Moscovo, o ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Sergei Lavrov, desmentiu qualquer ligação russa e descreve estas acusações como “ridículas”. “É lisonjeador, claro, receber este tipo de atenção”, ironiza.

“Eu trabalho em política há quase cinco décadas”, disse Podesta aos jornalistas que seguiam a bordo do avião da campanha da ex-secretária de Estado de Barack Obama. “Esta é definitivamente a primeira campanha que faço em que tenho de me envolver com agências de serviços secretos russas, que parecem estar a fazer tudo o que podem em defesa do nosso opositor [Donald Trump].”

Não foi só Lavrov a desmentir o democrata. Roger Stone afirmou que tudo o que Podesta disse é “categoricamente falso”, enquanto a WikiLeaks escreveu na rede social Twitter que “não tem qualquer contacto com Stone”.

Os emails desta discórdia (há outros envolvendo Hillary Clinton) oferecem um retrato do caos interno de uma grande campanha presidencial, com os membros da equipa obcecados com disputas pessoais, acordos, reacções a más notícias e discussões sobre os piores cenários, assim como com os esforços para desacreditar a candidatura do rival democrata, Bernie Sanders. Alguns também mostram como a campanha tem uma relação muito próxima com alguns jornalistas americanos.

Num comício na Florida, na terça-feira à noite, Trump aproveitou para falar das mensagens privadas que agora todos podem ler. Segundo o republicano, os emails mostram que "Clinton está ao leme do navio de um establishment global corrupto que ataca o país e ameaça a soberania da nação."