Trienal de Arquitectura premeia o atelier Lacaton & Vassal, especialista em reabilitar e reutilizar

Os franceses Anne Lacaton e Jean Philippe Vassal acabam de receber o Prémio Carreira da Trienal de Lisboa. É deles o projecto de renovação do Palais de Tokyo, hoje um dos mais concorridos centros de arte contemporânea de Paris. O prémio revelação foi para o atelier chileno Umwelt.

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A reconversão do Palais de Tokyo num centro de arte contemporânea está entre os seus projectos de maior visibilidade Cortesia: Palais de Tokyo

A Trienal de Arquitectura de Lisboa atribuiu o Prémio Carreira ao atelier Lacaton & Vassal (França) e o Prémio Début ao atelier Umwelt (Chile), foi anunciado este sábado, em Lisboa, pela organização desta iniciativa dedicada à arquitectura contemporânea.

Os prémios, patrocinados pela Fundação Millennium BCP, visam distinguir a excelência de arquitectos a título individual ou ateliers “cujo trabalho e ideias tenham influenciado e continuem a ter um efeito profundo na prática e no pensamento actuais da arquitectura”.

O atelier francês Lacaton & Vassal foi fundado por Anne Lacaton e Jean Philippe Vassal, em Paris, e, segundo a Trienal, é reconhecido internacionalmente por criar um programa ético de reutilização de meios e estruturas, assim como pelas suas intervenções de reabilitação. Os seus projectos de referência são o Palais de Tokyo (Paris), a Escola de Arquitectura de Nantes e o complexo de habitação Cité Manifeste (Mulhouse).

O curador-geral da Trienal, André Tavares, disse que as obras deste atelier premiado “são um exemplo claro de como a inteligência da arquitectura é um bem partilhável que circula pelos quatro cantos do mundo para se materializar em formas construídas”.

O júri foi composto por Andres Lepik, diretor do Architecture Museum da Technische Universität de Munique, o arquitecto Bijoy Jain, a arquitecta Cecilia Puga, o crítico e professor Jorge Figueira, o arquitecto Juan Herreros, e o escritor e curador Niall Hobhouse. A cerimónia de entrega do prémio decorrerá no dia 15 de novembro no Grande Auditório do Centro Cultural de Belém, seguindo-se uma conferência de Anne Lacaton e Jean Philippe Vassal.

Nas edições anteriores, foram distinguidos os arquitectos italiano Vittorio Gregotti (2007), o português Álvaro Siza Vieira (2010) e o inglês Kenneth Frampton (2013).

Quanto Prémio Début Trienal de Lisboa, tem por objetivo reconhecer o trabalho e promover a carreira das novas gerações de arquitectos ou ateliers com menos de 35 anos. Depois da avaliação de mais de 140 candidaturas chegadas de todo o mundo, o júri internacional composto por André Tavares, Fernanda Bárbara, Luís Santiago Baptista, Margarita Jover, Mimi Zieger, Tetsuo Kondo e Tim Abrahams, decidiu atribuir o prémio ao atelier Umwelt, sediado no Chile.

Segundo André Tavares, “o portfólio de trabalhos já realizados por esta dupla promissora combina obras já construídas com trabalhos de investigação muito relevantes. Não só se encontram laços entre o seu olhar crítico sobre a paisagem e o território, mas também existe uma forte ligação entre o pensamento conceptual e as estratégias de materialização das suas obras, em que o pensamento e o rigor da construção impulsiona a renovação do imaginário formal da arquitectura”.

O vencedor do Prémio Début receberá  5000 euros, sendo também convidado a dar uma conferência durante a semana de encerramento da Trienal, entre 8 e 11 de Dezembro. Na primeira edição, em 2013, o vencedor foi Bureau Spectacular de Jimenez Lai (Estados Unidos).

A quarta edição da Trienal de Arquitectura de Lisboa - com o tema A Forma da Forma - começou na quarta-feira com inaugurações de exposições, debates, apresentações de livros e outras actividades abertas ao público. Nesta semana de arranque estarão em foco aspectos da arquitectura contemporânea, da autoria à construção, da cidade à logística.
 

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