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A baiana Joselia Aguiar é a nova curadora da FLIP

A jornalista que está a escrever a biografia de Jorge Amado é a segunda mulher a dirigir a programação do mais importante festival literário brasileiro.

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Joselia Aguiar, que nasceu em Salvador mas vive em São Paulo há 20 anos Silvia Constanti

Pela segunda vez uma mulher é a curadora da Festa Literária Internacional de Paraty (FLIP). Joselia Aguiar, jornalista brasileira que desde 2011 está a trabalhar na biografia do escritor Jorge Amado (1912-2001), será a responsável pela programação da 15.ª edição da FLIP, em 2017.

Joselia Aguiar, que nasceu em Salvador mas vive em São Paulo há 20 anos e colabora com jornais como a Folha de S. Paulo (foi correspondente em Londres) e o Valor Econômico, sucede ao editor e jornalista Paulo Werneck que esteve à frente daquele que é o mais importante festival literário brasileiro de 2014 a 2016, divulgou a Associação Casa Azul em comunicado.

Ainda não se sabe quem será o autor homenageado da festa em 2017, que se seguirá à poetisa Ana Cristina Cesar. Mas há que lembrar que, em 2013, a nova curadora da festa e a tradutora Denise Bottmann fizeram um abaixo-assinado para que o escolhido desse ano fosse Lima Barreto (1881-1922), autor de Triste Fim de Policarpo Quaresma. Um nome que não vingou, já que o escolhido foi o escritor e cartoonista Millôr Fernandes (1923-2012).

A primeira vez que esta baiana participou na FLIP aconteceu precisamente numa mesa de homenagem a Jorge Amado, a convite da outra curadora na história do evento, Ruth Lanna, que partilhou a tarefa com Samuel Titan em 2005 e ficou sozinha à frente do festival no ano seguinte.

Joselia Aguiar foi editora-assistente e editora-chefe da EntreLivros, revista mensal de livros que circulou no Brasil entre 2005 e 2008, e foi curadora da 7.ª edição do Festival da Mantiquera, no distrito de São Francisco Xavier, em São José dos Campos.

Formada em comunicação social pela Universidade Federal da Bahia é mestre em História na Universidade de São Paulo, onde está a fazer uma tese de doutoramento sobre os diálogos literários e políticos do baiano Jorge Amado com outros escritores da América hispânica.

Desde 2011 que está a fazer pesquisas e entrevistas para a biografia deste escritor brasileiro, autor de romances como Gabriela, Cravo e Canela e Capitães da Areia, uma obra cuja data de lançamento deverá ser anunciada em breve pela Três Estrelas, editora do grupo Folha de S.Paulo.

Agora, como curadora, Joselia Aguiar pretende levar à mais importante festa literária brasileira “a diversidade de autores, géneros e temáticas que melhor representem a literatura contemporânea mundial e as questões do Brasil e do mundo de hoje”, lê-se no comunicado. E quer também “valorizar a experiência de se estar em Paraty, fortalecer a sua dimensão literária e reforçar o diálogo com outras artes, uma marca sua desde a primeira edição”.

No mesmo comunicado o director-geral da FLIP, Mauro Munhoz, afirma que “a escolha de Joselia Aguiar como curadora se deu pela sua afinidade com o projecto FLIP na busca de se criar uma experiência que una a literatura com o território” e também “como forma de abrir janelas em outras frentes” além da literatura, “como a arquitectura, história e ciência, algo que faz parte do DNA da FLIP”.

Tal como aconteceu nas últimas edições, os leitores, editores e escritores já podem dar ideias para a programação do próximo ano. As sugestões poderão ser enviadas até 15 de Fevereiro, através do site da FLIP.

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