Passos espera que Governo não insista no "irrealismo" no Orçamento de 2017

Presidente do PSD sugere que se tirem ilações dos resultados deste ano.

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Filipe Farinha/Arquivo

O presidente do PSD, Pedro Passos Coelho, disse nesta sexta-feira esperar que o Governo tenha "aprendido a lição deste ano", sobre o menor crescimento da economia do que previra, e que, no Orçamento de 2017, não insista no "irrealismo".

"Espero que o Governo aprenda com esta lição deste ano e no cenário macroeconómico que vai apresentar estabeleça metas que possam ser mais realistas e consentâneas com as previsões da generalidade das instituições que se pronunciam sobre a matéria", afirmou o líder social-democrata, em declarações aos jornalistas.

Falando em Felgueiras, onde visitou nesta sexta-feira uma empresa de produção de calçado, Passos comentava os dados revelados pelo Banco de Portugal que apontam para as previsões de crescimento da economia, este ano, de 1,1%, abaixo dos 1,3% previstos em Junho e dos 1,6% registados no conjunto de 2015.

"É apenas mais um dado que aponta no mesmo sentido de outros que têm vindo a ser divulgados. A perspectiva de um crescimento muito modesto este ano é praticamente uma certeza admitida muito tardiamente pelo Governo e até pelo primeiro-ministro", comentou.

O ex-primeiro ministro recordou que o PSD tinha chamado a atenção "para essa forte possibilidade desde início", por entender que "as previsões do Governo eram muito exageradas e isso não ajuda depois a fazer planos que corram bem". "Nessa altura, muitas instituições disseram que havia previsões demasiado optimistas", acrescentou.

O presidente do PSD insistiu ser importante que o Governo, que está a ultimar a proposta de lei do Orçamento para 2017, "não insista no mesmo irrealismo". "Não devemos ser tão imprudentes, quando tudo à nossa volta parece não indicar um caminho de grande optimismo e nos ponhamos aqui a fixar metas que, à partida, não serão alcançadas", concluiu.

Passos Coelho aproveitou a presença dos jornalistas para felicitar o presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, por ter sido escolhido para receber o Prémio Nobel da Paz, destacando o esforço notável daquele estadista para alcançar a paz no seu país.

"Julgo que os esforços que ele tem vindo a desenvolver são de facto notáveis e merecedores deste reconhecimento da comunidade internacional", comentou Passos Coelho, depois de já o ter feito através de um comunicado divulgado pelo partido. Passos afirmou conhecer bem o Presidente Santos e disse já o ter felicitado pelo resultado.

"Testemunhei por várias vezes o empenho que teve em conseguir chegar a um resultado que garantisse a paz na Colômbia, que tem uma guerra há praticamente 50 anos, que tem sido muito dilacerante para a própria sociedade colombiana", afirmou, acrescentando: "Hoje é um dia em que nós no sentimos muito felizes por ver reconhecidos esses esforços de alguém que estimamos e que admiramos recebendo o Prémio Nobel da paz".

O Prémio Nobel da Paz de 2016 vai ser atribuído a Presidente colombiano, Juan Manuel Santos, foi nesta sexta-feira anunciado.

O antigo primeiro-ministro português recordou que o referendo na Colômbia não aprovou o processo de paz acordado pelo Governo, mas disse esperar "que este galardão possa de alguma maneira ajudar que esse referendo se possa constituir, não como um fim do processo, mas um estímulo para que haja um recobrado empenho em alcançar uma paz duradoura".