Dois anos depois, o futebol no Togo vai-se reerguendo aos poucos

Campeonato esteve interrompido por conflitos na federação. Clubes e adeptos tentam lentamente regressar à normalidade.

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Daniel Hayduk/AFP

Após dois anos de interregno, o futebol está de regresso ao Togo. É uma espécie de alívio para os adeptos da modalidade, que vêem chegar ao fim um longo jejum imposto pela crise institucional que tomou conta do país desportivo. Para Ahmed Issa, alfaiate que reside em Lomé e que confessa ter-se sentido "na prisão" durante este período, esta é uma notícia que recebe com agrado: "Não havia distracção nos estádios aos fins-de-semana", lamentava-se o adepto do FC Agaza, clube da capital.

"É uma grande alegria voltar aos relvados e ao encontro com os nossos apoiantes, depois de dois anos de 'férias forçadas'", reconhece Gazo Kokou, atacante do AS Togo Port, também ele entregue à sua sorte durante este hiato. De resto, foram muitos os jogadores que entretanto se converteram em motoristas para conseguirem fazer face às despesas.

Ayivi Ekuevi, treinador do AS Togo Port, é uma testemunha privilegiada dessa transformação e lamenta o tempo perdido: "Os jogadores sofreram bastante durante esta crise que atingiu o nosso futebol. Muitos deles perderam os automatismos", revela.

Também do lado dos adeptos, é necessário reencontrar o caminho para os estádios. Nas primeiras cinco jornadas disputadas no Estádio Municipal de Lomé, as bancadas de 12.000 lugares estiveram praticamente desertas e as claques que outrora davam uma atmosfera mais colorida (e ruidosa) aos jogos ainda não retomaram a actividade.

"É o início da competição, ainda não vimos sequer jogos interessantes. Para além disso, muitos dos nossos amigos, com quem trocávamos impressões nas bancadas, ainda não vieram. Garanto-vos que o ambiente não é muito entusiasmante", reconhece Gérard Atégoué, membro de um grupo de adeptos da selecção do Togo.

Na origem destes dois anos de paragem estão conflitos permanentes entre membros da federação togolesa de futebol (FTF), organismo minada pela má gestão. E um cartão vermelho mostrado pelo FIFA ao campeonato deste pequeno país do Oeste africano, em 2014.

Inúmeros membros do elenco federativo entraram em rota de colisão com o presidente, Gabriel Améyi, acusando-o, inclusivamente, de desvio de fundos. A FIFA tomou, então, o assunto em mãos, dissolveu a FTF e instaurou um "comité de normalização", estrutura encarregada de gerir os assuntos correntes e organizar novas eleições.

Hoje, depois de várias diligências, o trabalho parece ter sido concluído. Há um novo presidente na cúpula do organismo (o coronel Guy Kossi Akpovy), a calma regressou e o campeonato também, com 14 clubes em competição no principal escalão. O ministro dos Desportos do Togo, Guy Lorenzo, deixou entretanto a garantia de que tudo será feito para que o caso não se repita: "Faremos todos os possíveis para que não haja mais interrupções, sejam quais forem os problemas".

Alguns clubes ainda não retomaram a sua actividade normal e os serviços de comunicação da FTF assumem que isso levará algum tempo, mas os subsídios canalizados para os clubes são mais generosos do que no passado: passaram a receber 23.000 euros por ano, contra os cerca de 8 mil encaixados antes do interregno.
 

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