Rui Moreira diz que caso Selminho é um "ataque" político e eleitoralista

Em causa o facto de o autarca ter passado uma procuração sobre o processo que envolve uma empresa da sua família quando já era presidente de câmara.

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Rui Moreira leu declaração política sobre o assunto Rui Farinha | NFactos

O presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira, tinha prometido prestar aos vereadores informações sobre o processo Selminho, uma imobiliária de que é proprietário com a sua família, e iniciou a reunião do executivo desta terça-feira lendo uma longa declaração política sobre o caso. Sem se pronunciar sobre o processo judicial entre a empresa e o município, iniciado ainda no tempo da presidência de Rui Rio, o autarca enquadrou as notícias vindas a público num "ataque de carácter anónimo [...] com intuitos políticos e eleitorais bem evidentes". E acusou a Lusa de ser um dos "braços" desse ataque.

Grande parte do documento lido por Rui Moreira e distribuído aos jornalistas é o elencar da forma como a agência de notícias noticiou o processo. O autarca avaliou mesmo as opiniões ouvidas pela Lusa, em reacção à notícia de que ele teria, já enquanto presidente, passado uma procuração para que o advogado da autarquia interviesse numa audiência do processo. E mostrou estar bem informado sobre a actuação da agência, revelando que tendo uma jornalista da casa consultado o processo Selminho em 2014 e tido escrito uma notícia, os responsáveis da agência optaram por não a publicar na altura, por não lhe encontrar qualquer relevância noticiosa.

Rui Moreira conclui, de tudo isto, que "usando a redacção do Porto [da Lusa], foi montado para uso político" o que considera ser "um não caso".

O autarca fez distribuir vários documentos relacionados com o processo, incluindo uma análise do director dos serviços jurídicos da câmara, José Correia de Matos, argumentando que a procuração passada pelo autarca em 2013 permitiu apenas que o advogado da autarquia requeresse um "novo período de suspensão" do processo. Correia de Matos escreve que "não foi praticada qualquer ilegalidade pelo Dr. Rui Moreira" e admite que "por lapso" a procuração do autarca não está apensa ao processo que foi já consultado por deputados municipais.

A manhã começou com uma situação caricata, quando o vereador do PSD Ricardo Almeida solicitou que fosse permitida a substituição de Amorim Pereira, primeiro vereador social-democrata ausente, por Andreia Júnior, presente na sala e que, no fim-de-semana, tinha manifestado à Lusa a intenção de levantar questões sobre a Selminho. Rui Moreira não o permitiu, uma vez que o próprio Amorim Pereira lhe solicitou num e-mail que o presidente distribuiu, para não ser substituído, garantindo: "Estarei presente na próxima reunião de câmara".

Perante a perplexidade de Ricardo Almeida, que ainda disse que Amorim Pereira está "no estrangeiro" e que o próprio pedira para ser substituído na passada sexta-feira, Andreia Júnior ficou mesmo sentada no público, sem poder intervir. Até às 11h30, Amorim Pereira ainda não tinha aparecido.