"Há um excesso de mitos que prejudica a imagem do país"

Oposição criou "mitos" que põem em causa a imagem externa de Portugal. Costa acusa Passos de ser "uma oposição perdida".

Foto
Passos ficou preso no passado, Cristas tem tentado mudar, diz o líder socialista Daniel Rocha

Foi feita "uma leitura simplificada das estatísticas que importa ser desmontada, porque tem um efeito pernicioso" para o país e para a motivação dos empresários, diz o primeiro-ministro.

Sente-se cómodo com a oposição de Passos Coelho? Ou tem medo que as contas não batam certo no fim de 2016 e que ele tenha razão?
Quanto aos resultados da execução de 2016 estamos tranquilos, seguros.

Mas como se sente com a oposição de Passos Coelho?
Acho que é uma oposição perdida em si própria, porque uma oposição que a única coisa que tem para prometer ao país é o anúncio de uma desgraça que, felizmente, nunca acontece. É uma oposição que desiste de ser uma alternativa relativamente ao futuro. Tenho pena. Registo que o CDS, com a mudança de liderança, tem procurado libertar-se do lastro do seu passado e procurar ter os olhos de alguma forma postos no seu futuro - nem sempre com sucesso. Infelizmente o PSD está a prosseguir um debate com dois anos de atraso e a pôr sistematicamente as fichas em tudo aquilo que é contra o país. Felizmente para o país todas estas previsões têm vindo a ser desmentidas. O investimento aumentou, o desemprego baixou, as exportações têm vindo a subir, a execução orçamental tem vindo a subir…

… Não vale a pena repetir.
Ouça! Tenho de repetir! Porque há um excesso de mitos que foram construídos através de uma leitura simplificada das estatísticas que importa ser desmontada, porque tem um efeito pernicioso. Não é para o Governo. Tem um efeito pernicioso para a imagem do país no exterior. Tem um efeito pernicioso na motivação dos empresários, que estão a fazer um enorme esforço para investir e depois ouvem dizer que, afinal, não está a haver investimento. Para os empresários que fazem um enorme esforço para exportar e depois ouvem dizer que as exportações não estão a aumentar. E nós, de facto, temos de puxar pelo país para a frente e isso implica motivar o país com base na realidade e não com base nas fantasias e nos mitos que foram construídos de uma trajectória económica que não é a que está a acontecer.

A verdade é que a economia não está propriamente em aceleração, o investimento...
Não. Está enganado. Está a ver!

Se me deixar fazer a pergunta completa…
É que estivemos em desaceleração da economia no segundo semestre de 2015. Mas ao longo de 2016 temos vindo a retomar um processo de aceleração da economia. Ao ritmo que desejávamos? Ainda não. Ao ritmo que necessitamos? Ainda não. Mas que invertemos o ciclo da desaceleração, esse inverteu-se.

Vou completar a pergunta.
Certo.

O investimento público está a cair… 
… Eu lembro-me, aliás, dos seus artigos censurando o modelo económico proposto pelo Governo, que era retomar o investimento público.

O investimento público está a cair, é um facto. O consumo das famílias não está a ser aquilo que se espera. Os impostos indirectos também foram aumentados. O Governo tem apoiado a banca, pública e privada. A pergunta tinha a ver exactamente com os tais “mitos”: sente que isto seja a imagem do Governo de esquerda que esperava há um ano?
A realidade desmente a fantasia que alguns sectores da sociedade alimentaram sobre o que ia acontecer neste país com esta solução.

Acha que havia uma perspectiva errada?
Foi criada uma expectativa errada. O que é que podemos verificar? Primeiro, que a desaceleração do investimento da segunda metade de 2015 foi invertida ao longo de 2016. Hoje sabemos que o investimento empresarial aumentou 7,7% no primeiro semestre.

Baixou o investimento público.
É verdade. Estranho seria que, numa transição de quadros comunitários tão desastrosa como aquela que foi conduzida pelo Governo anterior, não tivesse havido uma enorme queda na continuidade do investimento público. Quanto à procura interna, o contrafactual só demonstra que se não tivéssemos feito a reposição de rendimentos que fizemos, a procura interna ainda teria evoluído menos bem. O que podemos dizer ao fim deste ano? É que, numa conjuntura de arrefecimento geral da economia, em particular da economia europeia, nós temos vindo a fazer uma inversão da trajectória do crescimento, sustentada na criação de emprego, no aumento das exportações, nalguma recuperação da procura interna. E, simultaneamente, temos tido uma execução orçamental que muitos consideravam absolutamente impossível com as opções de política que tínhamos feito no programa eleitoral e no programa de Governo.