As vozes que contrariam os gritos anti-refugiados

Um inquérito global realizado pela Amnistia Internacional revela que a maioria é a favor do acolhimento de refugiados pelo seu país.

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A Amnistia Internacional quer combater a ideia de que muita gente é contra os refugiados Mohammad Ismail/Reuters

A Amnistia Internacional (AI) quer combater a ideia de que muita gente é contra os refugiados. A organização de defesa dos direitos humanos está prestes a lançar uma campanha com o tema “Eu acolho”. As vozes de ódio ouvem-se mais, mas há uma maioria mais ou menos silenciosa que apoia a busca de segurança por pessoas em fuga no seu país.

O discurso de ódio nas caixas de comentários de jornais, nas redes sociais, no café, pode dar uma ideia de que há muita gente contra os refugiados. Mas a AI fez um inquérito global com “uma amostra muito razoável” em que a esmagadora maioria dos inquiridos se diz a favor do acolhimento de refugiados pelo seu país, diz ao PÚBLICO Daniel Oliveira, director de campanhas em Portugal da organização.

A campanha, que é global, pretende ainda recentrar a discussão, pondo em perspectiva os números europeus. Os países que acolhem mais refugiados não estão na Europa, nem sequer são ricos: são o Líbano, Jordânia, e Nauru, na Oceânia. “No Líbano os refugiados são um quarto da população”, sublinha Daniel Oliveira.

Em relação a Portugal, onde há um número tão baixo de refugiados, “ter oposição chega a ser ridículo”, diz o responsável da AI. Daniel Oliveira explica ainda que o slogan da campanha não quer ser literal – não é um pedido para que as pessoas recebam refugiados em sua casa. “É apenas um apelo à aceitação e à tranquilidade.”

Esta é uma entre várias campanhas de defesa de direitos dos refugiados, e muitas das acções positivas até surgem de grupos organizados justamente para responder às campanhas negativas.

Na Hungria, durante a campanha para o referendo de domingo houve mesmo uma guerra de cartazes, com um grupo a fazer afirmações para expor a campanha do Governo ao ridículo. Sabia que “há uma guerra em curso na Síria?”, perguntava. Ou que “a maioria dos crimes de corrupção são cometidos por políticos?”

Na Dinamarca, um grupo formou-se para contrariar uma campanha do Governo que tentava dissuadir a vinda de refugiados. Conseguiu juntar verbas suficientes para publicar o seu próprio anúncio no diário britânico The Guardian: “Bem-vindos à Dinamarca”, dizia o anúncio, com o objectivo de que as pessoas em fuga “ouvissem outra voz, uma voz de paz, solidariedade e decência humana”.