“Pensar em grande significa pensar no Brasil”

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Para José Eduardo Agualusa, esta cooperação com o Brasil deverá integrar no futuro uma componente de negócio no Folio Miguel Manso

A lusofonia é o grande traço diferenciador do Folio, embora se trate de um festival literário generalista, disse José Eduardo Agualusa, um dos seus curadores. “Portugal tem de pensar em grande, em termos literários. E pensar em grande significa pensar no Brasil”.

Este ano, oito escritores brasileiros vieram ao Folio com patrocínio privado brasileiro, graças a uma parceria estabelecida com o SESC (Serviço Social do Comércio). Esta instituição, cujos fundos provêm de contribuições dos comerciantes e tem um orçamento superior ao do Ministério da Cultura do Brasil, tenciona continuar a financiar a vinda de autores brasileiros a Óbidos, de acordo com uma estratégia de apoio à literatura brasileira no estrangeiro. “O SESC actua de acordo com as políticas públicas, mas no sentido de preencher as lacunas daquela”, explicou Flávia Tebaldi, a assessora do SESC para a área da literatura, que acompanhou os escritores. "Pensámos que o Folio seria uma boa forma de promoção e contactámos a organização para sermos parceiros e patrocinar a vinda dos nossos autores”.

Para Agualusa, esta cooperação com o Brasil deverá integrar no futuro uma componente de negócio. “Se começarem a vir ao Folio editores brasileiros e europeus, os autores terão oportunidades de assinar contratos, e de ver os seus livros traduzidos”.

O intercâmbio será favorável também para os escritores portugueses, para quem o potencial mercado brasileiro é uma oportunidade de que só alguns já beneficiam. “O Mia Couto e o Valter Hugo Mãe já vendem mais no Brasil do que em Portugal. O Mia até vende mais do que os autores brasileiros”, disse Agualusa. “O número de leitores no Brasil está a crescer, graças aos festivais”.

Números da segunda edição

Num primeiro balanço dos organizadores, o número de visitantes nesta segunda edição aumentou em relação ao ano passado, bem como o número de eventos (250) e de convidados (700, contra 456 do ano passado, e de espaços disponíveis (mais oito).

 O orçamento que a Câmara definiu para o festival diminuiu este ano para 595 mil euros, dos 680 mil atribuídos em 2015, mas houve um aumento das parcerias, com instituições e empresas.

10 000 euros foi o “caché” de cada um dos autores - estrelas do festival, Salman Rushdie e V. S. Naipaul