Quase dez anos depois, o Codebits ganha uma segunda vida e chama-se Pixels Camp

Evento arranca quinta-feira com 1000 participantes em Lisboa.

Uma imagem do Codebits de 2009
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Uma imagem do Codebits de 2009 shamila mussa/arquivo

Foi em 2007 que um evento chamado Codebits deu origem a uma tradição anual entre os entusiastas da tecnologia em Portugal: largas centenas de participantes seleccionados passaram a rumar a Lisboa para assistir a palestras, participar numa maratona de programação informática, entrar em concursos de tacos picantes, jogar videojogos e, com frequência, dormir em sacos-cama num ambiente assumidamente geek. Depois de uma paragem em 2015 (quando a PT, empresa dona do Sapo, que organizava o evento, atravessava um período conturbado), o espírito do Codebits vai regressar na próxima semana, impulsionado pelas mesmas pessoas que o criaram, mas com um novo nome e novos organizadores.

O Pixels Camp arranca na quinta-feira e decorre até sábado na LX Factory, uma antiga fábrica em Lisboa que alberga uma mistura de restaurantes, lojas e espaços de cowork. Serão cerca de 1000 pessoas, incluindo 100 oradores. “Muitas destas pessoas acompanham o Codebits desde o início”, observa Celso Martinho, co-fundador do Sapo e mentor do evento. Martinho criou há alguns meses a Bright Pixel, que se define como um estúdio de startups (a empresa é da Sonae, também dona do PÚBLICO) e associou-se agora a outras 14 empresas para lançar o Pixels Camp.

Celso Martinho explica que o evento amadureceu com os participantes. “Na altura [dos primeiros Codebits], havia muita gente que nem na universidade estava”. Hoje estão em empresas de renome e fazem parte da lista de oradores.

Uma das palestras agendada no Pixels Camp é dedicada à necessidade de mais mulheres no mundo da tecnologia. Outra será sobre trabalhar à distância para uma startup. E há uma que pretende debruçar-se sobre a falta de glamour da vida de um investigador na área da inteligência artificial. Mas boa parte dos temas são muito mais técnicos. Na lista das apresentações, onde o inglês é língua franca, há títulos como “Prototype web apps with mean.js” e “Automated web e2e tests with webdriverio”.

Nos últimos anos, também muito mudou no panorama tecnológico em Portugal. As atenções concentram-se muito mais em startups e no chamado ecossistema de empreendedorismo. Multiplicam-se os eventos que reúnem empreendedores, investidores de risco, incubadoras e programas de aceleração. O Pixels Camp pretende continuar a ser dirigido sobretudo a engenheiros, programadores, designers e “a pessoas que têm um pensamento criativo”, explica Celso Martinho, argumentando que “não existe um evento em Portugal para esta audiência”. E, nesta segunda encarnação, o Codebits transformado em Pixels Camp parece querer manter um dos conceitos originais: “Muita diversidade, muito pensamento fora da caixa, poucas regras”.