Há mais um Hagi no futebol e este também tem pé direito

Ianis, filho do melhor futebolista romeno de sempre, está na equipa Primavera da Fiorentina e já foi convocado por Paulo Sousa para um jogo da Série A

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Ianis Hagi começou a jogar na equipa principal do Vitorul Constanta com 15 anos DR

Ser filho de um futebolista famoso não é necessariamente bom para um aspirante a jogador. O apelido pode abrir portas, mas não as abre todas, e as expectativas serão sempre demasiado altas para o que, depois, acaba em grande parte dos casos por acontecer, o de nunca chegar ao mesmo nível. Chegar ao mesmo patamar de Gheorghe Hagi, considerado o melhor futebolista romeno de todos os tempos e um dos melhores médios-ofensivos do futebol mundial dos anos 1980 e 1990, será sempre uma tarefa inglória para a sua descendência. Ianis, filho mais novo daquele que ficou conhecido como o “Maradona dos Cárpatos”, está a começar e ainda tem muito para andar, mas as primeiras impressões são de craque.

Ianis tem apenas 17 anos e está na equipa Primavera da Fiorentina, mas já foi convocado por Paulo Sousa para um jogo da equipa principal frente ao AC Milan no último fim-de-semana. O jovem romeno acabou por não sair do banco no Artemio Franchi, em Florença, num jogo que acabou num empate sem golos. Se ainda não se estreou na Série A, Ianis já tem no currículo duas temporadas na primeira divisão da Roménia, com números bastante interessantes ao serviço do Vitorul Constanta, quatro golos e duas assistências em 39 jogos – esta foi uma porta que o apelido lhe abriu: Hagi Sénior é o dono do clube.

Tal como o pai, Ianis é um médio ofensivo, mas tem uma diferença fundamental em relação a “Gica”, um canhoto de excepção, mas de menor destreza com o pé direito. Em todos os vídeos disponíveis no Youtube com as suas exibições, Ianis parece ter igual (alta) habilidade com os dois pés. É um virtuoso ambidextro que consegue conduzir a bola e rematar com igual destreza nos dois pés, e foram estes atributos que levaram a Fiorentina a pagar cerca de um milhão de euros por ele em 2015, ficando ainda durante essa época na liga romena – só nesta temporada é que foi viver para Florença e vai-se dividindo entre a equipa Primavera e o plantel que está às ordens de Paulo Sousa, tal como outro descendente de um ex-futebolista, Federico Chiesa, filho de Enrico, antigo avançado internacional italiano.

“Gica” Hagi tem um exagerado optimismo de pai em relação ao futuro do filho. “Tem talento e cabeça. Joga com emoção, mas é um jogador generoso que trabalha para a equipa. Ele faz assistências, toma decisões rápidas e é bom com ambos os pés – eu dependia demasiado do meu pé esquerdo”, comentava em 2015 o melhor marcador de sempre da selecção romena (35 golos em 125 jogos). “Sabe passar, sabe rematar. Ainda tem muito trabalho pela frente, claro, mas está sempre a crescer. Ainda precisa de trabalhar, mas já é melhor do que eu era quando tinha a idade dele. Um dia, será o capitão da selecção romena”, dizia em 2015.

Ianis é um de muitos filhos de ex-futebolistas que estão a tentar projectar-se para lá do apelido. O brasileiro Rivaldinho está, por exemplo, bem longe de chegar ao que o pai Rivaldo foi, tendo passado sem grande sucesso pelo Boavista, antes de aterrar no Paysandu. Outros nomes de uma segunda geração incluem o holandês Justin Kluivert, filho de Patrick, que está nos escalões de formação do Ajax, Giovanni Simeone, filho de Diego, avançado ligado ao River Plate e internacional argentino sub-20, ou os dois filhos de Zidane, Enzo e Luca, que andam pelas equipas secundárias do Real Madrid. Em Portugal, o caso mais conhecido da actualidade é o do médio do FC Porto André André, filho de André, que também foi médio dos “dragões”.

Ianis, que nasceu na Turquia durante os anos em que o pai jogou no Galatasaray, não desespera por uma oportunidade na principal equipa “viola” e, para já, contenta-se com o facto de Paulo Sousa já ter reparado nele. “Por causa do nome que tenho nas costas, estou habituado à pressão. Paulo Sousa é um grande treinador e tenho aprendido muito com ele. A minha hora vai chegar e tenho de estar pronto.”

Planisférico é uma rubrica semanal sobre histórias de futebol e campeonatos periféricos