Conselho de Estado elogia “candidatura exemplar” de Guterres

Antes da reunião, as câmaras de televisão captaram à distância um comentário do ex-primeiro-ministro entre outros conselheiros: “Há pouca vergonha…”

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Terceira reunião do Conselho de Estado da era Marcelo demorou cinco horas e meia Miguel Manso
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Terceira reunião do Conselho de Estado da era Marcelo demorou cinco horas e meia Miguel Manso
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Terceira reunião do Conselho de Estado da era Marcelo demorou cinco horas e meia Miguel Manso
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Este foi o primeiro Conselho de Estado em que participou o novo presidente do Tribunal Constitucional, Costa Andrade (aqui entre Eanes e Ferro) Miguel Manso

O Conselho de Estado elogiou esta quinta-feira a “candidatura exemplar” de António Guterres a secretário-geral das Nações Unidas. Após cinco horas e meia de reunião, a nota informativa refere-se exclusivamente a este ponto, em que, de forma subtil, deixa perceber a crítica ao último desenvolvimento deste processo: o aparecimento, na quarta-feira, da candidata búlgara Kristalina Georgieva, em substituição de Irina Bokova.

“O engenheiro António Guterres cumpriu com empenho todas as etapas do processo, nomeadamente as audições e debates, credibilizando assim os novos procedimentos estabelecidos pelo Conselho de Segurança, valorizando o estatuto das Nações Unidas e o papel da Assembleia Geral”, lê-se no comunicado. Uma referência clara ao processo de candidatura de Georgieva, que na véspera o Presidente da República classificou como “uma maratonista que entra na prova nos últimos 100 metros”.

Num momento em que está prestes a iniciar-se o novo ciclo de votações, o Conselho de Estado assume institucionalmente e para consumo diplomático que a candidatura de Guterres, “que tem merecido desde o início o apoio empenhado de todos os órgãos de soberania nacionais e de todos os partidos políticos portugueses, é a todos os títulos, uma candidatura exemplar”.

Os conselheiros subscrevem que o candidato português “tem a qualidade, a experiência, a visão estratégica, a capacidade de diálogo e o espírito de disponibilidade e abertura que tão importantes são para enfrentar com êxito os exigentes desafios que às Nações Unidas se colocam no presente e no futuro”.

No final, o Conselho de Estado deseja “as maiores felicidades” ao candidato português, “na convicção de que a sua desejada eleição será a vitória de todos os membros das Nações Unidas, em prol de uma ordem internacional marcada por menos tensões, conflitos e dramas humanitários e mais fundada na paz e na segurança, na defesa dos direitos humanos, no reforço do ideal do desenvolvimento sustentável, em suma, na concórdia entre as nações e os povos”.

Antes da reunião, Guterres foi rodeado por outros conselheiros como Francisco Louçã, Ramalho Eanes, Carlos César e Eduardo Lourenço, com quem terá trocado impressões sobre a candidatura de última hora, conhecida na véspera, da búlgara Kristalina Georgieva. Algumas câmaras de televisão que focavam o grupo conseguiram captaram um comentário feito pelo ex-primeiro-ministro português entre sorrisos: “Há pouca vergonha...”

Depois da reunião, o Presidente da República ofereceu um jantar ao rei da Malásia, país que tem assento no Conselho de Segurança das Nações Unidas. Nem Guterres nem António Costa ficaram para o jantar.

Esta foi a terceira vez que Marcelo Rebelo de Sousa convocou o seu órgão de aconselhamento político desde que tomou posse, em Março. “Situação política, económica e financeira internacional e seus reflexos em Portugal num quadro de curto, médio e longo prazo” foi o tema da convocatória enviada aos conselheiros a meio de Setembro.