Opinião

O problema está, é, (n)o Islão

É necessário refrear, restringir e mesmo reverter o avanço do Islão. Para nós não retrocedermos, têm eles de retroceder.

A 24 de Maio de 2016, no Primeiro Jornal (o noticiário que se inicia às 13h) da SIC, o seu apresentador disse que “a Europa respira(va) de alívio” após a derrota, na Áustria, do candidato presidencial de “extrema-direita”. Trata-se de uma asserção que suscita pelo menos três questões pertinentes. Primeira, e mais óbvia, como é que naquela estação de televisão se chegou àquela conclusão — isto é, que métodos e técnicas de “medição” da opinião pública se utilizaram — sobre o estado de espírito dos cidadãos do Velho Continente relativamente à eleição naquele país. Segunda, Norbert Hofer, o candidato em causa, e membro do Partido da Liberdade da Áustria (FPO), é efectivamente de direita mas certamente não extrema. Terceira, e mais embaraçosa, ele (ainda) não perdeu, porque tantas e tais foram as irregularidades detectadas no escrutínio que o Tribunal Constitucional austríaco se decidiu pela realização de uma nova ida às urnas, entretanto marcada para o próximo dia 4 de Dezembro, pelo que o “respirar de alívio”, a ter acontecido, foi prematuro.

Este episódio é apenas um entre muitos do mesmo género que ocorrem regularmente na “paisagem” político-mediática europeia. E que apenas envolvem uma das extremidades do espectro ideológico: de facto, e por exemplo, não foram noticiadas “dificuldades de respiração”, na SIC e não só, quando o Syriza, da extrema-esquerda, chegou ao poder na Grécia, tendo depois formado um governo de coligação com os Gregos Independentes, de direita, e cujas características o aproximam do FPO; também não se ouviu Jean-Claude Juncker recusar previamente o debate e o diálogo, por parte da União Europeia e das suas instituições, com Alexis Tsipras, algo que fez com Norbert Hofer. Será que o presidente da Comissão Europeia repetirá o comportamento se aquele efectivamente for eleito? E tomará a mesma atitude se Marine Le Pen for eleita Presidente da França em 2017? Este é um cenário cada vez mais provável, porque tanto a Frente Nacional como a sua líder, desde que o pai e fundador, Jean-Marie, foi expulso daquela, têm vindo a subir gradualmente não só nas intenções de voto (sondagens) mas também nas próprias votações: as eleições regionais realizadas em Dezembro último levaram inclusive Le Pen a anunciar e a celebrar a “erradicação total” do socialismo, e da esquerda, naquele país. Na verdade, tal ainda não aconteceu ainda (mas na Polónia sim, como indiquei em artigo, também no PÚBLICO, de 16 de Abril último): o Partido Socialista manteve o controlo de cinco regiões, e, mais importante, ainda detém uma maioria no Parlamento nacional e, claro, a presidência do país, através de François Hollande.

... Que, recorde-se, depois dos atentados em Paris a 13 de Novembro último decretou o estado de emergência, que ainda vigora, e cuja eficácia tem sido discutível, como o demonstraram, posteriormente, os ataques realizados em Nice e em Saint Étienne du Rouvray. Porém, apesar das restrições aos normais direitos cívicos que esta (e qualquer outra) situação de excepção implica, ao sucessor de Nicolas Sarkozy não têm sido dirigidas as acusações de desrespeito pela democracia que habitualmente o são às individualidades situadas no “outro lado”, sejam elas “radicais” ou não. Aliás, o cenário já se tornou rotineiro: após uma acção terrorista, vários são os comentadores, em Portugal e em todo o mundo, cujas compaixão pelas vítimas e condenação dos verdugos são menores do que a preocupação relativa a um eventual aproveitamento que a “extrema-direita” fará do crime e aos possíveis apoio popular e ascensão eleitoral de que aquela beneficiará. Sim, é maior o medo que alguns sentem das palavras do que o das facas, balas e bombas; sim, é maior o medo que alguns sentem da “islamofobia” do que do extremismo islâmico que justifica a “islamofobia”. E, claro, esses comentadores continuam igualmente a não conseguir demonstrar porque é que partidos como o UKIP britânico, o AfD alemão (e o movimento aliado PEGIDA), o PVV holandês (de Geert Wilders), a Frente Nacional francesa, assim como quem neles milita são perigosos (quiçá mais do que a Al-Qaeda e o ISIS?), e a adesão crescente que registam os deixa “gelados” e “repugnados”. Acaso cometeram, directa ou indirectamente, crimes de que resultaram mortos e/ou feridos e/ou danos materiais?

É evidente que não. O que incomoda os “pensadores” do “politicamente correcto” — na verdade “alimentadores de crocodilos” (segundo Winston Churchill), apologistas, hipócritas, relativistas culturais e morais, numa palavra, cobardes — é o “isolacionismo”, “racismo” e “xenofobia” que as organizações mais à direita alegadamente preconizam e promovem. E o “neonazismo”, apesar de ser à esquerda (e entre os muçulmanos) que mais se ouvem insinuações e insultos contra os judeus e contra Israel. E até a “homofobia”, embora seja difícil, se não mesmo impossível e insólito, disso acusar, nomeadamente, Marine Le Pen, que conta(va) com (pelo menos) dois homossexuais assumidos, Florian Philippot e Sébastien Chenu, como colaboradores próximos. Há que reconhecer que são algo “estranhos” os “isolacionistas”, “racistas” e “xenófobos” que criticam e que condenam, quase exclusivamente, uma religião específica e os seus praticantes; acaso há registos de animosidade continuada para com imigrantes latino-americanos, eslavos, indianos ou chineses? De facto, o problema está no Islão, o problema é o Islão: não são extremistas apenas os que assassinam cidadãos (civis) comuns e inocentes; também o são os que acreditam que as mulheres são seres inferiores e devem ser tratadas como tal (e mesmo mortas se trouxerem “desonra” à família), e que os homossexuais e os apóstatas podem ser mortos — aliás, o misógino intolerante de hoje, que é (des)educado como tal no lar, na escola e na mesquita, na comunidade e na sociedade, mais probabilidade tem de se tornar o bombista suicida de amanhã.

Se queremos que o(a)s nosso(a)s filho(a)s, e (o)as filh(o)as del(e)as vivam numa Europa e num Ocidente com liberdade e com segurança (as duas não são incompatíveis), e se possível com mais de ambas do que quando nós crescemos, é necessário refrear, restringir e mesmo reverter o avanço do Islão. Para nós não retrocedermos, têm eles de retroceder. E isso implica, antes de mais, combater, derrotar e eliminar os terroristas, e punir os que permitiram, activa ou passivamente, que eles actuassem.

Jornalista e escritor