Passos Coelho entre autárquicas e o livro proibido

No distrito de Castelo Branco, onde está durante o dia de sábado, o líder do PSD diz que nunca governou para sondagens.

Passos avisou o partido para os riscos da situação portuguesa
Foto
Passos repete que apresentará o livro de José António Saraiva Nuno Ferreira Santos

O presidente do PSD, Pedro Passos Coelho, disse neste sábado que nunca governou por causa de sondagens e agora, na oposição, também não pensa nelas, apesar de realçar que o PSD e o CDS em conjunto continuariam a ganhar as eleições. "Tenho acompanhado mais ou menos as sondagens. Nunca governei por causa das sondagens ou a pensar nelas, e não estou na oposição a pensar nelas", disse o presidente do PSD, Pedro Passos Coelho.

O líder social-democrata, que falava aos jornalistas à chegada a Proença-a-Nova, no distrito de Castelo Branco, onde se deslocou para visitar a aldeia de xisto de Figueira, adiantou, no entanto, que tem acompanhado a sondagem que foi divulgada neste sábado. "Elas mostram que o PSD e o CDS, nesta altura, continuariam em conjunto a ganhar as eleições, o que é muito curioso, sobretudo depois de vermos a forma populista como o Governo se tem comportado, oferecendo mais risco e também mais facilidades na governação do que nós teríamos feito porque somos gente com mais prudência e mais cautela", sustentou

Adiantou que aquilo que o preocupa é que os portugueses saibam com o que podem contar de quem está na oposição: "Quem está hoje na oposição e esteve ontem no Governo, não muda a maneira de estar, e as convicções que defende para o país só porque está na oposição", sustentou. "É uma coerência que penso que é importante para os portugueses e ainda há um núcleo muito alargado de pessoas que o valorizam e isso é um estimulo também", concluiu.

No capítulo eleitoral, Passos disse mais tarde que o partido deve procurar os melhores quadros para ganhar as autárquicas, desafiando os sociais-democratas a “preparar bem o ciclo autárquico que se vai iniciar em 2017”. “Temos hoje uma visão clara de que uma parte do desenvolvimento do nosso território depende bastante das lideranças que pudermos ter" nas autarquias, disse já ao final da tarde, na festa do PSD de Castelo Branco. "Temos que preparar bem o ciclo autárquico que se vai iniciar em 2017. É agora que se começa a preparar esse caminho", afirmou o presidente do PSD.

O livro proibido

Sobre a mais recente polémica que o envolve, Passos disse que não volta com a palavra atrás e que vai apresentar o livro do jornalista José António Saraiva, mas espera que este assunto não seja transformado num questão de natureza partidária. "O arquiteto José António Saraiva convidou-me para me associar ao livro que ia fazer e respondi que sim, mesmo antes de conhecer a obra e aceitei fazê-lo. Não sou de voltar com a palavra atrás nem de dar o dito por não dito. Estarei a fazer a apresentação dessa obra".

Questionado sobre os comentários proferidos pelo presidente do PS, Carlos César, sobre o assunto, disse que não faz nenhum comentário porque não comenta questões desta natureza nos outros. "Penso que o mais importante é que tudo o que se passa no plano editorial e jornalístico se faça dentro de certos limites, mas respeitando a liberdade das pessoas e aquilo que são as suas opiniões e visão", disse.

O presidente social-democrata disse que tem respeito por José António Saraiva: "Julgo que isso é o que aqui mais quero destacar, quando decidi aceitar o convite que ele me dirigiu e mais não digo". "Não vou defender o livro nem as suas perspectivas, mas espero que o que quer que as pessoas venham a achar do livro, qualquer que seja a polémica que ele venha a ter, que não seja transformada numa questão de natureza partidária", concluiu.

O país que não cresce

 Polémicas à parte, Passos Coelho disse que está preocupado com o facto de o país não estar a crescer como devia e acha que estão a ser desperdiçadas oportunidades. "Preocupa-me que o país não esteja a crescer o que devia. Porque foram feitas reformas muito importantes ao longo dos últimos anos para aumentar a nossa capacidade de gerar rendimento e de oferecer maiores possibilidades de emprego sustentado pelo crescimento da economia a todos aqueles que pagaram um preço elevado pela crise que vivemos", afirmou Passos Coelho, numa visita a Proença-a-Nova, no distrito de Castelo Branco.

O líder social-democrata sublinhou ainda que aquilo que mais o preocupa não é o dia-a-dia, mas a visão de médio e de longo prazo para o país. "O país não está a crescer aquilo que precisa nem o que foi projectado pelo próprio Governo. O atual primeiro-ministro dizia que tinha uma abordagem para a política económica radicalmente diferente do governo anterior, e que isso colocaria o país a crescer de uma forma mais acentuada, com mais justiça social, mais emprego sustentado na economia e não é isso que se está a ver", sustentou.

Sublinhou ainda as declarações da líder do Conselho de Finanças Públicas (CFP) e a perspetiva muito limitada que apresentou para o país. "Se tudo continuar como está até aqui e se este tipo de abordagem política se mantiver, as perspetivas deste órgão independente são as de que andaremos sempre a lutar todos os anos para ter menos um bocadinho de três por cento de défice, muito dependentes do que se passar no exterior e o país não crescerá mais de 1,5%, quando muito", sustentou.

Passos Coelho disse também que a sua crítica é a de quem liderou um Governo, numa altura em que o país tinha chegado ao limite das suas possibilidades, mas realçou que Portugal já estava a crescer a um ritmo maior do que aquele que se verifica atualmente. "Estávamos a crescer a um ritmo maior do que hoje, a recuperar uma confiança e credibilidade no exterior, o investimento estava a aparecer e tudo isso, está a perder gás, a andar para trás. Acho isso muito mau porque podíamos estar muito melhor do que estamos e acho que estamos a desperdiçar oportunidades", concluiu.

Sugerir correcção