Ilustração

A nova galeria do Silo Auto vê-se das escadas

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A partir de agora subir ou descer os degraus do parque de estacionamento do Silo Auto, no Porto, não é apenas uma opção assumidamente mais saudável do que usar o elevador — é uma outra forma de consumir arte. A começar já por este sábado, dia em que o edifício se estreia em grande no roteiro do NOS em D'Bandada, a altura perfeita para inaugurar as sete ilustrações de Júlio Dolbeth e Rui Vitorino Santos que agora se encontram nas paredes da escadaria. É o primeiro momento da iniciativa "Há coisas no hall - sete pisos, sete ilustrações", lançada pela Porto Lazer com o objectivo de "dinamizar o Silo Auto com intervenções artísticas", conta ao P3 Cláudia Melo, da empresa municipal. A ideia será entender aquele espaço como uma "galeria vertical"; depois destas obras, que desaparecem dentro de dois meses, serão instalados "dispositivos expositivos simples" que vão receber, de três em três meses, exposições com artistas convidados, principalmente emergentes. "Vão activar aquele espaço, que é de passagem, e que agora também recebe intervenções", explica a responsável. Um pouco na linha do que já aconteceu com o Espaço AXA e o Montepio. Em resumo: "Um parque de estacionamento não é só um parque de estacionamento". E como galeria vertical será realmente necessário percorrer "todos os pisos do parque para ter uma noção real da exposição" e compreender a narrativa. Assim acontece com as sete obras dos dois ilustradores, fundadores da Dama Aflita, galeria encerrada (temporariamente?!) em Maio, e que aqui deram continuidade ao projecto Pandora Complexa, em que a personagem desenhada por um interagia com a criada pelo outro. Sendo o mote a maratona de "música por todo o lado", inspiraram-se na ideia de "multidão" para fazer uma "homenagens aos públicos", conta Júlio ao P3, que guarda de outras D'Bandadas a "imagem forte" de uma "multidão a descer a rua Passos Manuel atrás de uma banda". Durante cerca de uma semana, foram criando, com alguma dose de improviso, novos seres a preto e branco. Uns pintados por Rui, outros pintados por Júlio, todos assumidamente diferentes, mas todos em "equilíbrio" — literalmente. É que no primeiro piso há dois mártires a aguentar sobre os ombros toda a "confusão de gente" que está no sétimo, onde o NOS em D'Bandada arranca sábado pelas 14h. "A união faz a força" é a conclusão: basta subir, ou descer, as escadas para perceber. AR

Rui Vitorino Santos e Júlio Dolbeth
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