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Adrian Kasperski
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Estudante polaco idealiza novo projecto para a Ilha do Fogo

Adrian Kasperski gostava de voltar a ver as aldeias e o centro cultural da Ilha do Fogo de pé e desenvolveu uma tese de mestrado na qual explora a revitalização da zona. Erupção vulcânica de 2014 destruiu sede do Parque Natural da ilha

O edifício impressionava e enquadrava a paisagem da Ilha do Fogo, em Cabo Verde, como poucos: escuro da cor da rocha vulcânica, anguloso e encaixado à sombra do vulcão que entrou em erupção em 2014. A sede do Parque Natural da ilha albergava um centro cultural e actividades administrativas. Contribuiu para dinamizar a economia da zona mais remota do Fogo e a violenta erupção destruiu-o, bem como a várias povoações. Com isto em mente, um estudante de mestrado em arquitectura de Cracóvia, na Polónia, escreveu uma tese com soluções para voltar a desenvolver esta área do arquipélago lusófono.

De acordo com o site ArchDaily, Adrian Kasperski propõe a “expansão das estradas existentes e trilhos de caminhadas”, bem como a criação de instalações para melhorar a oferta turística da ilha. Ao alargar o acesso de estradas à encosta Norte do Fogo, defende Kasperski, o desenvolvimento económico seria beneficiado e o trânsito da zona Sul reduzido. Além disso, está também prevista no projecto — para já apenas conceptual — a relocalização do centro cultural inicialmente pensado pelos arquitectos OTO. Kasperski optou por colocá-lo a Norte da caldeira do vulcão. Já o novo hotel, proposto pelo mestrando, e a adega estariam localizados a Sul da estrada de acesso.

O centro cultural, que nas imagens mais distantes não é perceptível, abre um corte na caldeira e explora a topografia local e a luz natural. Para servir a povoação, o polaco sugere ainda uma escola, um mercado, uma igreja e uma rede de vias de comunicação.

PÚBLICO -
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O edifício projecto pelos arquitectos portugueses OTO, destruído em 2014 Fernando Guerra

A sede do Parque Natural da Ilha do Fogo foi concluída em 2013 mas só sobreviveu um ano. Concebido pelo atelier português OTO, dos arquitectos Nuno Teixeira Martins, André Castro Santos, Miguel Ribeiro de Carvalho e Ricardo Vicente, foi inaugurado em Março de 2014 mas destruído poucos meses depois, em Novembro do mesmo ano, pela erupção vulcânica naquela ilha do arquipélago.

As imagens são tudo o que resta do edifício dos OTO e Fernando Guerra venceu o Prémio do Público do Architizer A+, publicação especializada em arquitectura, precisamente com fotografias da sede daquele parque natural. “O edifício único, dos arquitectos OTO, construído numa das ilhas mais doces que conheço, já não existe, infelizmente, e estas imagens são tudo o que resta. Este prémio é um tributo especial aos esforços de tantos" envolvidos no projecto, escreveu Fernando Guerra, na sua página oficial no Facebook, reagindo à vitória no início de 2016.