Conservadores vencem eleições na Croácia pela segunda vez num ano

Andrej Plenkovic, o líder do HDZ, tem pela frente difíceis negociações para formar coligação estável.

Plenkovic, um antigo diplomata, adoptou um tom mais moderado do que o seu antecessor
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Plenkovic, um antigo diplomata, adoptou um tom mais moderado do que o seu antecessor Antonio Bronic/Reuters

Contrariando as expectativas, os conservadores croatas venceram as legislativas de domingo, as segundas realizadas em menos de um ano no país, e preparam-se agora para a difícil tarefa de negociar uma coligação com a estabilidade necessária para realizar as reformas exigidas pela União Europeia.

“Somos o partido que terá o privilégio de formar um Governo estável”, afirmou Andrej Plenkovic, antigo diplomata e eurodeputado que assumiu as rédeas da União Democrática Croata (HDZ, o partido que liderou o país durante a guerra e os anos seguintes à independência) perante o desmoronar da anterior liderança e as crises que ditaram a queda do executivo ao fim de apenas seis meses no poder.

O tom moderado que adoptou, em contraciclo com a retórica nacionalista do seu antecessor, Tomislav Karamarko, ajudou o partido a convencer o eleitorado do centro, que os sociais-democratas acreditavam ter conquistado. Até à abertura das urnas, as sondagens faziam prever a vitória do SDP liderada pelo antigo primeiro-ministro Zoran Milanovic, mas terminada a contagem, os dois partidos trocaram de posição – o HDZ elegeu 61 deputados, mais sete do que os sociais-democratas.

Ainda assim, as eleições ficaram marcadas por uma afluência historicamente baixa (52%, ou seja dez pontos percentuais abaixo da registada nas legislativas de Novembro), o que traduz o desagrado dos eleitores com a paralisia que marcou os últimos meses, num momento em que o país enfrenta uma grave crise económica, e que fica também visível pela subida do partido populista de esquerda Ziv Zid (Escudo Humano) que fez campanha contra a corrupção na política e na banca.

Mas a tarefa de Plenkovic não se adivinha fácil. Para formar Governo terá de formar uma nova aliança com o Most (Ponte), partido próximo dos meios católicos, que elegeu 13 deputados. As negociações que deram origem à anterior coligação entre os dois partidos demoraram seis semanas e o entendimento não resistiu às primeiras crises.

Mas mesmo que o HDZ aceite as condições do Most, incluindo a aprovação de leis para reformar o financiamento dos partidos e impor um código de conduta aos deputados, a coligação ficaria aquém da maioria absoluta – um patamar sem o qual o executivo terá dificuldade em cumprir as exigências de Bruxelas, que há muito pede a Zagreb que reforme a Administração Pública, reduza o seu défice e aprove leis mais favoráveis ao investimento.