Cameron abandona Parlamento menos de três meses depois do referendo

Saída desencadeia eleição intercalar no círculo de Witney. Antigo primeiro-ministro diz que não quer ser "distracção" à governação de Theresa May.

Cameron em Junho, quando deixou Downing Street
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Cameron em Julho, quando deixou Downing Street Geoff Caddick/AFP

O antigo primeiro-ministro britânico David Cameron anunciou que vai abandonar o seu lugar no Parlamento, desencadeando uma eleição intercalar no círculo pelo qual foi eleito.

Com a demissão, Cameron, de 49 anos, põe um ponto final na sua carreira política, 15 anos depois de ter sido pela primeira vez eleito pelo círculo de Witney, no condado de Oxfordshire e menos de três meses depois de ter saído vencido no referendo à permanência do Reino Unido na União Europeia. Um desaire que precipitou a sua demissão da liderança dos conservadores, cargo que ocupava desde 2005, e da chefia do Governo, que ocupava desde 2010.

Após o referendo, Cameron prometeu manter-se em Westminster até ao final da actual legislatura, mas tal como já tinha feito com a anterior garantia de que se manteria como primeiro-ministro fosse qual fosse o resultado do referendo, acabou por recuar. Afirma agora que, depois de ter ponderado a sua situação durante o Verão, decidiu deixar de ser deputado para não ser “uma distracção” à nova primeira-ministra, Theresa May.

Alguns analistas afirmam, no entanto, que a saída pode ter sido precipitada pelos planos do novo executivo para expandir as escolas públicas que têm autonomia para seleccionar os alunos (conhecidas como grammar schools), uma iniciativa a que se opôs durante o seu mandato. Cameron negou esta interpretação, sem manifestar o seu apoio à iniciativa, limitando-se a afirmar que foi uma “grande honra” representar os eleitores de Witney