Trump exige desculpas de Hillary Clinton por insulto aos seus apoiantes

Candidata democrata à Casa Branca disse que apoiantes do seu adversário formavam um "grupo deplorável" de racistas e xenófobos.

Hillary Clinton discursou num jantar de gala LGBT em Nova Iorque
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Hillary Clinton discursou num jantar de gala LGBT em Nova Iorque Justin Sullivan/Getty Images/AFP

“Racistas, sexistas, homofóbicos, xenófobos, islamofóbicos… há de tudo”, enumerou a candidata presidencial do Partido Democrata, Hillary Clinton, em referência às opiniões e atitudes dos eleitores que tencionam votar no seu adversário republicano. “Generalizando de uma forma um tanto ou quanto grosseira, podíamos juntar metade dos apoiantes de Donald Trump no que eu chamo um grupo deplorável”, considerou, em declarações registadas durante um jantar de recolha de fundos em Nova Iorque e que já motivaram a candidatura republicana a exigir um pedido de desculpas.

“Wow, como é que Hillary é capaz de insultar de tal maneira os meus apoiantes, milhões de pessoas fantásticas e trabalhadoras?”, reagiu imediatamente Donald Trump, através do Twitter. “Vai-lhe custar caro nas urnas”, estimou.

No púlpito da Cimeira dos Valores, este sábado em Washington, o candidato republicano à vice-presidência, Mike Pence, atacou a “falta de respeito” de Hillary Clinton pela opção de milhões de norte-americanos, “agricultores, mineiros, professores, veteranos do Exército, membros das forças de segurança e representantes de todas as classes deste país, que sabem que podemos tornar a América grande de novo”.

Perante o furor dos republicanos, Hillary Clinton disse lamentar a forma como se exprimiu, reconhecendo que tinha feito uma “generalização grosseira”. Só que em vez de pedir desculpa, como exigia Trump, garantiu que nunca deixaria de chamar a atenção para as “declarações racistas e intolerantes” do seu rival na corrida à Casa Branca, que se refere a ela como "vigarista" e já a insultou de "demónio".

Clinton falou sobre os apoiantes de Trump durante um jantar de gala intitulado “LGBT por Hillary” no luxuoso restaurante Cipriani de Nova Iorque, um evento com cerca de mil convidados que contou com actuações da cantora Barbra Streisand e do músico Rufus Wainwright.

As palavras da democrata, fora do habitualmente cuidado guião sancionado pelos estrategas de campanha, já estão a ser comparadas ao desabafo feito por Mitt Romney, o antigo candidato republicano e adversário de Barack Obama, durante a campanha eleitoral de 2012. Num evento na Florida com os seus doadores, Romney referiu-se aos “outros 47%” de americanos que dependem do Governo e não pagam impostos.

Donald Trump acredita que a democrata pagará um elevado preço político pelo seu comentário, tal como aconteceu com Mitt Romney após a sua gaffe, registada num jantar de gala em tudo semelhante ao de Clinton no restaurante no bairro de Wall Street. No entanto, enquanto Romney falou à porta fechada, Clinton aceitou a presença dos media no seu jantar.

Alguns analistas diziam que o discurso de Hillary não constitui surpresa – a candidata refere-se frequentemente aos preconceitos e intolerância dos eleitores de Trump, e já “mimou” o seu rival com as mesmas acusações de racismo e sexismo. E notavam também que vão de encontro à percepção dos seus apoiantes, que em teoria não ficarão zangados com o comentário. No entanto, as suas palavras põem em causa a narrativa da sua campanha, que a apresenta como uma candidata empática e capaz de unificar um país dividido e cada vez mais entrincheirado na “demonização” do outro lado.

Hillary começou por referir-se aos eleitores que se sentem ultrapassados ou negligenciados pelo sistema político e económico e por se encontrarem “tão desesperados por uma mudança” estão dispostos a dar crédito às propostas populistas de Trump. Na sua opinião, as suas preocupações são legítimas e merecem consideração – e uma resposta política distinta daquela que é oferecida pelo seu rival. “Precisamos de compreender a sua ansiedade com as suas vidas e o seu futuro”, frisou.

Mas depois Clinton distinguiu uma outra parcela de apoiantes – para os quais já não encontra compreensão e não acredita em reabilitação: os racistas, xenófobos e homofóbicos. “Infelizmente há pessoas assim, e ele deu-lhes protagonismo”, lamentou. “Ele promoveu os seus sites, que antes eram frequentados por 11 mil pessoas e agora têm 11 milhões. Ele partilha os seus tweets odiosos e ofensivos, e repete a sua retórica abjecta e desprezível”, criticou, acrescentando que no seu entender, estas pessoas não são representativas dos valores da América.

Instalada a polémica, a campanha de Clinton veio esclarecer que a candidata se referia ao grupo Alt-Right, que mantém uma plataforma de extrema-direita online e é acusado de perfilhar uma ideologia nacionalista e defender a supremacia branca. “Obviamente, nem todos os eleitores de Trump pertencem a esta organização de extrema-direita. Mas todos os líderes da Alt-Right declararam o seu voto em Trump”, observou um dos porta-vozes da campanha.

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