BE protesta contra encontro de Costa com Temer

O primeiro-ministro português irá encontrar-se esta quarta-feira com Michel Temer, o que desagrada ao Bloco de Esquerda. Para os bloquistas, a chegada de Temer à presidência é um "golpe contra a democracia".

Michel Temer tem 75 anos
Foto
O impeachment de Dilma Rousseff teve lugar no dia 31 de Agosto Evaristo Sá /AFP

A menos de 24 horas da reunião que juntará António Costa, primeiro-ministro português, e Michel Temer, presidente brasileiro, o Bloco de Esquerda manifestou o seu incómodo inequívoco com o encontro. “Não havia necessidade de o Governo português se apressar tanto na legitimidade do Governo brasileiro”, assume a deputada Joana Mortágua ao PÚBLICO.

A crítica é apontada não só ao encontro do primeiro-ministro com Michel Temer, mas também relativamente às acusações que pendem sobre o novo presidente do Brasil. “Tudo isto deveria ser merecido alguma cautela ou comentário negativo”, afirma a deputada, recordando que o BE qualifica como “golpe” o processo de impeachment de Dilma Rousseff. Questionada sobre se o BE informou o primeiro-ministro sobre o comunicado que o Bloco fez chegar esta tarde às redacções, Joana Mortágua disse haver apenas esta posição pública do partido.  

Embora o Bloco de Esquerda considere a ida de António Costa ao Brasil para apoiar os atletas portugueses uma “iniciativa louvável”, não deixa de “lamentar o inoportuno encontro” entre os dois políticos, que não “aconselha nem justifica”, lê-se na nota que o partido divulgou esta tarde. Os bloquistas descrevem Temer como “um político que chega à presidência da República do Brasil sem legitimidade e a braços com a justiça” e consideram que o processo de impeachment que levou o antigo vice-presidente brasileiro a substituir Dilma no Palácio do Planalto ultrapassou os limites legais.

A nota refere ainda os processos que Temer e aqueles que o apoiam enfrentam perante a justiça brasileira. “Temer está no centro de várias suspeitas, investigações e casos de corrupção. O Governo português não desconhece que um dos objectivos dos promotores da destituição da anterior presidente é precisamente o de garantir impunidade perante o combate à corrupção”, acrescenta a nota, com uma referência específica ao caso Lava-Jato.