Jerónimo: “Há que não voltar atrás e prosseguir a reposição de salários, rendimentos”

No seu discurso de arranque da 40.ª Festa do Avante, o secretário-geral do PCP falou sobre a necessidade de "uma política alternativa, patriótica e de esquerda".

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Jerónimo de Sousa já abriu a Festa do Avante! Rui Gaudêncio
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O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, abriu nesta sexta-feira a 40.ª Festa do Avante! com a garantia de que o PCP não recuará no compromisso e “na palavra dada”, quando fez o acordo com o actual Governo, mas ao mesmo tempo também “não regateará nenhum esforço na sua acção e intervenção, na sua proposta para que se concretize uma nova política”.

“Se na situação actual há que não voltar atrás e prosseguir a reposição de salários, rendimentos e direitos, nós consideramos ser incontornável a necessidade de uma política alternativa, patriótica e de esquerda, que nos liberte das grilhetas que nos amarram, potencie os nossos recursos, ponha Portugal a produzir, dê valor ao trabalho com direitos, combata o desemprego e a precariedade, defenda o direito à saúde, o acesso ao ensino, proteja socialmente a infância e a velhice”, disse Jerónimo de Sousa, na Quinta do Cabo, o novo espaço que este ano ampliou a Quinta da Atalaia, no Seixal.

E acrescentou: “Essa necessidade é inseparável da possibilidade. Sim, é possível! O PCP, mantendo os compromissos e a palavra dada, não regateará nenhum esforço na sua acção e intervenção, na sua proposta para que se concretize uma nova política.”

Antes tinha recordado o percurso feito desde as últimas eleições legislativas que levaram à nova maioria parlamentar de esquerda, sem esquecer as críticas ao anterior Governo. “Fomos para a batalha das legislativas com a consciência que tinha de se aliar o voto à luta. E no dia 4 de Outubro a maioria do povo português aplicou uma derrota pesada ao PSD/CDS deixando-os em minoria na Assembleia da República (AR). Uma derrota, também, dessa mistificação das eleições para primeiro-ministro, que não existem”, declarou, lembrando que “foi com base na alteração da composição na AR, quando a direita se preparava para transformar uma derrota numa vitória, continuar no Governo para dar cabo do resto e acelerar a política de exploração e empobrecimento, que o PCP avançou com a possibilidade de uma solução política”.

Jerónimo de Sousa não deixou, no entanto, de reconhecer as dificuldades: “Sim, tínhamos consciência de que com um Governo do PS e o programa do PS as questões de fundo e os problemas estruturais dificilmente encontrariam as respostas necessárias. Mas havia duas questões urgentes.” O líder comunista enumerou-as: “impedir que o Governo PSD/CDS prosseguisse a sua política de terra queimada” e, em segundo lugar, “com a nova fase da vida política nacional, que fosse encetado um caminho de reposição de salários, rendimentos e direitos”, de horários de trabalho, “salvar serviços públicos como a saúde, a escola pública, o carácter universal da Segurança Social, travar privatizações anunciadas ou em curso, suster a sangria da emigração, devolver feriados roubados e abonos de família, eliminar taxas moderadoras, suster a pobreza”.

O secretário-geral assumiu que as medidas são “sem dúvida, limitadas e insuficientes sabendo que os estragos da política de direita dos sucessivos governos e de forma particularmente brutal nos quatro anos de Governo PSD/CDS deixaram o país num estado crítico, com feridas sociais expostas, mais dependente do estrangeiro, em particular da União Europeia”. Porém, afirmou: “Com essas limitações e insuficiências, há um elemento de carácter subjectivo que ressurgiu, diríamos assim, como que uma janela de esperança e a real possibilidades de nos libertarmos, como país e como povo, da política de exploração e empobrecimento, das amarras e constrangimentos que nos querem impor, de dependência a que nos querem submeter.”