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Poiares Maduro de regresso à política para chamar ao Governo "um caso híbrido de populismo"

Ontem, Jaime falou na rentreé do PSD e criticou os antieuropeístas. Hoje, Poiares Maduro disse que o Governo é um caso "híbrido de populismo"

Miguel Poiares Maduro defende a eleição directa do presidente da Comissão Europeia
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Poiares Maduro regressou a Florença, para ser professor, quando deixou o governo Miguel Manso

O ex-ministro Miguel Poiares Maduro classificou o Governo como "um caso híbrido de populismo", lamentando que Portugal esteja entre os quatro países da Europa onde partidos populistas já chegaram ao poder.

"Hoje temos partidos populistas que estão no poder já, de direita, como na Polónia e na Hungria, mas partidos populistas de esquerda também no poder, na Grécia e em Portugal, se quiserem chamemos-lhe um caso híbrido de populismo. Eu não gosto de ver Portugal incluído nestes quatro exemplos de discurso e prática populista dominante na Europa", afirmou o antigo ministro adjunto e do Desenvolvimento Regional do governo de coligação PSD/CDS-PP de Passos Coelho.

Falando perante os alunos da Universidade de Verão do PSD, Poiares Maduro deixou alertas sobre "o discurso político que em vez de soluções fala de bodes expiatórios". "É um discurso político que é demagógico e improdutivo porque no final do caminho só oferece um bode expiatório. Esse discurso politico está hoje dominante na coligação que governa o país e é um discurso político que tem como marca fundamental colocar a estratégia política à frente da realidade que o país vive", disse.

É um discurso político em que, acrescentou, "a política se transforma em populismo". "E o problema do populismo é que não oferece soluções, só oferece culpados", vincou, considerando que os populistas captam os medos e receios das pessoas e exacerbam-nos sem os solucionar.

Admitindo que fazer política assente no realismo "pode parecer pouco sexy" politicamente, Poiares Maduro recusou que isso tenha que ver com o abandono dos ideais. "A nossa acção política deve ser alimentada pelos nossos desejos, mas as alternativas e as propostas que propusermos têm de ser assentes no que podemos. É importante desejar, sonhar, é importante ter ideais, mas é importante perceber que tentar promover esses ideais fora da realidade só nos vai tornar ou demagogos ou, no pior dos casos, é aquilo que conduz ao autoritarismo, é aquilo que conduz à tirania", sustentou.

Jantar com Jaime Gama

Não só os sociais-democratas têm um lugar à mesa na Universidade de Verão do PSD. O socialista Jaime Gama, presidente da Assembleia da República entre 2005 e 2011, também marcou presença durante a noite de terça-feira num jantar-conferência em Castelo de Vide. Durante as suas intervenções, aplaudidas pelos jovens participantes, o ex-deputado acentuou a importância da via europeísta, considerando que “os que não passam certidões de óbito à União Europeia são aqueles que estão no bom caminho”.

O aviso à esquerda do PS surge depois de, em Junho passado, o porta-voz do partido João Galamba ter afirmado no Congresso Nacional do PS que “o partido não se chama europeísta, chama-se Partido Socialista”. Jaime Gama não concorda, avisando: "Não podemos ficar de fora. Não podes ficar a recriminar." Mas acredita que no país continuará a existir “por muitos anos a articulação fundamental entre aqueles que querem manter uma via europeia para o país, os que querem prosseguir ideias sobre a Europa e não repreensões oportunisticamente fáceis sobre as dificuldades".

Jaime Gama repudia a ideia dos que querem “anexar o nosso país na descrença, na piada fácil, na reivindicação imediata", explicando que "esse não é o caminho".

Lembrando a possibilidade de uma candidatura presidencial sua em 2015, o socialista declarou que a sua vida política “foi encerrada em 2011” quando deixou a Assembleia da República, com todas as “contas saldadas” nesse momento.

 

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