Assunção Cristas debaixo de fogo no CDS-PP

Militantes irritados com convite a ex-ministra da Educação de Sócrates para participar em iniciativa do partido.

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A líder do CDS entra na rentrée debaixo das críticas dos seus pares Guilherme Marques

O convite à ex-ministra da Educação do PS Maria de Lurdes Rodrigues para participar numa iniciativa do CDS-PP foi a última gota de água que irritou muitos centristas. Nas últimas semanas, outros casos - as declarações feitas por um deputado no congresso do MPLA, a exposição nas revistas cor-de-rosa e a posição assumida recentemente sobre uma possível candidatura a Lisboa – suscitaram muitas críticas internas a Assunção Cristas. O CDS tem marcada uma comissão política para a próxima semana, dia 8, que promete aquecer.

“Houve uma sucessão de maus acontecimentos, há uma gestão da imagem pública da presidente que tem mostrado uma frivolidade que não corresponde à substância que tem”, afirmou ao PÚBLICO Raul Almeida, ex-deputado e apoiante de uma lista alternativa ao conselho nacional da apresentada por Assunção Cristas, em Março.

Raul Almeida disse esperar que a líder do partido “entre no novo ano político a tomar as rédeas à agenda política.” E um dos temas que marcará os próximos meses serão as eleições autárquicas. Cristas admitiu, em entrevista à Sábado, há duas semanas, que pode ser candidata à Câmara de Lisboa “se houver uma decisão do CDS”. A posição desagradou a alguns centristas que entenderem ter havido uma menorização de uma eventual candidatura da presidente e que cabe à líder do partido assumir uma decisão se for essa a sua vontade. Na oposição, há no entanto quem apoie totalmente a ideia de Cristas avançar para a capital. “É uma candidatura extraordinária com possibilidades de muito sucesso”, disse ao PÚBLICO Filipe Lobo d’Ávila, deputado e líder da lista alternativa à de Assunção Cristas ao Conselho Nacional.

A hipótese de a líder do CDS-PP avançar foi dada como quase certa pelo comentador televisivo Luís Marques Mendes, no domingo à noite na SIC. 

Contactada pelo PÚBLICO, a líder do CDS disse não ter mais nada a acrescentar ao que disse no congresso do partido, no passado mês de Março, quando afirmou a necessidade de apresentar uma candidatura “forte e mobilizadora” a Lisboa.  

A participação de Maria de Lurdes Rodrigues, antiga ministra do Governo de José Sócrates, num painel sobre educação na Escola de Quadros do CDS, no próximo sábado, foi a mais recente controvérsia entre os militantes centristas. O ex-deputado e antigo líder da Juventude Centrista Michael Seufert deu voz às críticas no Facebook mas outros – que não se querem identificar – também questionam a opção da direcção do partido. “Como é que foram convidar a ministra da festa do Parque Escolar? Politicamente é um erro”, diz um antigo dirigente do CDS, lembrando que Maria de Lurdes Rodrigues está associada a uma imagem de “despesismo” dos anteriores governos socialistas e que foi tão criticado pelo partido.

Mas a polémica deste convite somou-se a outras que têm colocado o CDS nas páginas dos jornais nas últimas semanas. E não por bons motivos. Foi o caso das declarações do deputado Hélder Amaral no congresso do MPLA, em Luanda, e que a líder do partido teve de esclarecer depois de instigada pela oposição a fazê-lo. Foram ainda as críticas à considerada excessiva exposição de Cristas e da sua família nas revistas cor-de-rosa quando em muitas zonas do país se combatiam incêndios de grandes dimensões. A forma como a líder do CDS-PP se deixa fotografar, mesmo em entrevistas políticas, levou a que fosse comparada a uma “actriz de telenovela”. Os críticos da actual direcção pedem mais política e menos vida pessoal nas revistas. Condenam o apagamento do partido nas últimas semanas em questões como a da recapitalização da Caixa Geral de Depósitos e as alterações no Imposto Municipal sobre Imóveis.