Crónica

Música é humanidade!

A música está tão presente no nosso quotidiano que cada movimento que façamos tem uma banda sonora.

Um ano antes da sua morte, em Novembro de 1966, John Coltrane ao ser entrevistado por Frank Kofsky da rádio KPFK, disse que “a música, já em si, é um instrumento que pode despertar os padrões de pensamento iniciais necessários para mudar mentalidades”. Seguindo essa linha de raciocínio e inspirando-se em Malcolm X, afirmou que queria ser “a force for good”.

A música é talvez das poucas coisas que nos unem, separando-nos. Quer nos invada de excitação quando estamos alegres ou nos lamba as feridas quando o dia não corre da melhor maneira, não há forma de fugirmos dela. Está tão presente no nosso quotidiano que cada movimento que façamos tem uma banda sonora.

Lembro-me que quando era puto (ainda o sou, mas vocês entendem onde eu quero chegar) queria ser uma estrela de Rock. Foi a altura em que gostar de Tokyo Hotel era ainda socialmente aceite pelos meus amigos. Imaginava milhares de pessoas a gritarem o meu nome, a cantarem as minhas canções. No entanto, a minha total falta de ritmo e voz irritantemente aguda não me deixaram perseguir o meu sonho. Ainda hoje, dou comigo a fazer figuras parvas à frente do espelho enquanto toco “air guitar” como se estivesse no Pavilhão Atlântico.

— Henrique sai da casa de banho, estás aí há quase uma hora!

Em 2011, fui ao Optimus Alive ver com os meus tios Foo Fighters e, até ao dia de hoje, sinto que foi o melhor concerto a que alguma vez assisti. Com a voz cavernosa e estridente de Dave Grohl e a revigorante bateria de Taylor Hawkins, parecia que o meu coração colidia serenamente com aquele som catártico e tónico. Passado uma hora, ouvi o vocalista a gritar “Querem mais uma?”, o público respondeu ruidosamente de forma afirmativa, ao que o Dave replicou “e que tal mais vinte?” começando, posteriormente, a deslizar os dedos naquela guitarra imponente. Seguiram-se mais duas horas sobrenaturais que culminaram no “Everlong” e nos meus pés cansados de saltar, mas ansiosos por mais!

Tornei-me num viciado em música, devoro um álbum de Lumineers e Bon Iver por dia, especialmente quando estou à espera que a maré vaze para entrar no mar, oiço toda a discografia de Benjamin Clementine ou Damien Rice quando estou apaixonado (é incrível, gostava tanto de ter ido ao concerto dele em Julho, mas era o dia em que saíam as notas dos exames do 12.º ano e estava com medo que isso pudesse prejudicar a minha experiência. Se foram são uns sortudos!), até oiço dubstep em vinil quando preciso de gritar e dançar descoordenado, com os meus braços a abanarem como se estivessem a tentar levantar voo (vá lá podem gozar comigo, eu deixo, mas só hoje que eu sou um rapaz muito sério).

Já agora, deixa-me ir ao google pesquisar como é que se trava esta minha adição. O site WikiHow diz-me que tenho três passos a dar: identificar a minha obsessão, totalizar o tempo gasto e, finalmente, controlar o consumo de música com maior consciência. Para o mês que vem paro, prometo! (figas…).

Apercebo-me que os festivais são das coisas mais bonitas deste mundo, milhões de seres, de diferentes culturas, religiões, raças, tamanhos e formas, que noutro tipo de contexto nem sequer trocariam uma palavra, estão juntos a comemorar a vida, a PAIXÃO! A dançar, a cantar!

Este ano consegui ir ao SuperBock SuperRock, ver Kendrick Lamar, Slow J e Capicua, e dei por mim a vibrar com hip-hop, estilo com o qual nunca nutri qualquer brandura, como se fosse a minha segunda casa! Há qualquer coisa de especial sobre estarmos todos ali, naquele instante como se fosse durar para sempre. É isso que a música nos faz, aproxima-nos, faz-nos querer conhecer, descobrir, aventurar!
Música é Humanidade!

18 anos, à espera de ingressar no ensino superior