Bloco acha que rectificativo é "natural", PCP mostra-se reservado

Bloco de Esquerda assume que rectificativo é a "consequência natural" da recapitalização e PCP recusa dizer se votará contra ou a favor desse orçamento.

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Esquerda reage à possibilidade de orçamento rectificativo Miguel Manso

A deputada do Bloco de Esquerda Mariana Mortágua considerou nesta quinta-feira que "um orçamento rectificativo é a consequência natural da recapitalização pública" da Caixa Geral de Depósitos, defendendo que o dinheiro tem que servir para a manter como um banco estável.

"Um orçamento rectificativo é a consequência natural da recapitalização pública do Estado para o seu banco que é o banco público. Quem defende a recapitalização e quem defende que a Caixa se mantenha na esfera pública, logicamente não pode estar depois contra a injecção de dinheiro público na Caixa", disse Mariana Mortágua em declarações aos jornalistas no parlamento depois do ministro das Finanças ter admitido quarta-feira que a recapitalização da Caixa implicará um orçamento rectificativo se for realizada este ano.

Na opinião da deputada do BE, "é preciso é que esse dinheiro sirva o propósito de manter a Caixa como um banco estável, que garante que o sistema financeiro em Portugal funciona, que apoia a economia, que apoia as empresas e que funciona com transparência".

"Nós não votamos a favor de um diploma antes de conhecer esse diploma. Se o Bloco de Esquerda admite que a Caixa tem que ser pública e se a Caixa precisa de uma injecção de capital, não podemos estar contra o procedimento burocrático ou procedimento administrativo que permite essa injecção de capital público", respondeu quando questionada pelos jornalistas sobre se o BE vai aprovar esse mesmo orçamento rectificativo.

PCP reservado

Já o dirigente comunista Jorge Pires rejeitou pronunciar-se sobre o sentido de voto num eventual orçamento rectificativo para acomodar a recapitalização da Caixa Geral de Depósitos (CGD) e o acordo com Bruxelas por não os conhecer. Contudo, o membro da comissão política do comité central do PCP admitiu contactos sob reserva com o executivo de António Costa e o PS, embora frisando que o seu partido será sempre contra a perda de postos de trabalho e a diminuição da atividade do banco público.

"A questão essencial é que a recapitalização da CGD seja concretizada, salvaguardando integralmente o carácter público do banco e garantindo que os pressupostos, designadamente o plano de reestruturação, se façam sem prejuízo da afirmação e ampliação do papel da CGD como instrumento essencial de uma política de crédito ao serviço do desenvolvimento do país e financiamento da economia, com respeito pela defesa dos postos de trabalho e direitos", disse.

Jorge Pires recusou "comentar cenários ou hipóteses" e sublinhou a prioridade em "conhecer integralmente todos os aspectos que rodeiam o acordo dado pela União Europeia (UE) à decisão de recapitalização". "Precisamos de conhecer o conteúdo, caso venha a existir esse orçamento rectificativo", vincou, acrescentando que "qualquer processo que centre a reestruturação no despedimento de trabalhadores e encerramento de balcões não vai nesse caminho" defendido e apoiado pelo PCP.

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