Catarina Martins diz que arrependimento quanto à "geringonça" representa seriedade política

A coordenadora do BE falou pela primeira vez sobre a polémica criada em redor da entrevista ao PÚBLICO.

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Catarina Martins, coordenadora do BE Miguel Manso

A coordenadora do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, defendeu nesta terça-feira, a propósito da entrevista em que admitiu arrepender-se todos os dias da "geringonça" que permitiu ao seu partido apoiar o Governo do PS, que essa confissão representa seriedade face à política.

À margem da visita que fez esta tarde às áreas de Arouca (Aveiro) queimadas em incêndios, Catarina Martins declarou: "Houve um primeiro-ministro que dizia que nunca tinha dúvidas. Não sei se alguém tem saudades desse tipo de forma de olhar a política, mas, quem é sério naquilo que faz, naturalmente assume as dificuldades com que vive", numa alusão a declarações do antigo primeiro-ministro e ex-chefe de Estado Cavaco Silva.

Para a líder do Bloco, o arrependimento quanto à chamada "geringonça" basear-se-á, por isso, "nas dificuldades de um trabalho de maioria com partidos que têm divergências conhecidas".

"Tenho-o dito várias vezes e numas gostam de fazer mais alarde disso, mas a verdade é que as dificuldades são quotidianas", justificou.

"Todos os dias trabalhamos, todos os dias vamos construindo soluções e o BE aqui está todos os dias para um compromisso que fez de reposição dos rendimentos do trabalho no nosso país, em salários e pensões", disse, acrescentando: "Se é difícil? É. Muito. Se desistimos? Nunca".

Em entrevista divulgada na edição de domingo do jornal PÚBLICO, a coordenadora do BE afirmou que "todos os dias" se arrepende da criação da 'geringonça' pelas suas limitações.

Quando questionada se perante polémicas como as viagens pagas pela Galp a membros do Governo não houve algum momento em que o Bloco se tenha arrependido da criação da 'geringonça' (partidos que apoiam parlamentarmente o executivo de António Costa) Catarina Martins afirmou: "Todos os dias me arrependo. Faz parte".

"Todos os dias sou confrontada com os limites da 'geringonça'. Isso custa. O que não é mau, é o que temos de fazer. Há dois objectivos essenciais no acordo que o BE fez, mas fizemo-lo e lutámos por ele: travar o empobrecimento do país e afastar a direita do Governo", acrescentou.

Questionada sobre se tem medo de não conseguir ir mais além, Catarina Martins admitiu que sim.

"Todos os dias tenho medo de não conseguir. Todos os dias tenho de lutar para que seja possível. Não é mau", afirmou a deputada.

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