Destruição de património tornou-se uma arma de guerra

Grupos jihadistas têm usado pilhagem e demolição de sítios arqueológicos na Síria, no Iraque e noutros países em conflito.

Foto
Palmira, na Síria, foi um dos alvos da destruição do Estado Islâmico AFP PHOTO/JOSEPH EID

Tornou-se recorrente a pilhagem e destruição de bens culturais por grupos radicais islâmicos, que consideram como idolatria qualquer obra de arte ou estrutura pré-islâmica. Na Síria, a guerra que decorre desde 2011 já causou a destruição de mais de 900 monumentos e sítios arqueológicos, de acordo com a Associação para a Protecção da Arqueologia na Síria.

“A destruição da herança cultural tornou-se uma táctica de guerra para espalhar o medo e o ódio nos conflitos modernos”, escreveu Irina Bokova, directora-geral da Unesco, na revista online International Criminal Justice Today. E o grupo jihadista Estado Islâmico (EI) tem sido um dos maiores destruidores de monumentos arqueológicos classificados como Património da Humanidade.

Só na cidade histórica de Palmira, que o EI ocupou em 2015, fez estragos irreparáveis: desapareceram os dois templos principais, Baalshamin e Bel, “de um valor inestimável para o nosso património comum", segundo a ONU. O EI destruíu ainda a estátua do Leão de Atena, peça única de mais de três metros de altura.<_o3a_p>

No Iraque, o EI tem demolido o que resta da antiga Mesopotâmia, vendendo também peças mais pequenas no mercado negro. Vídeos de 2015 mostram os militantes jihadistas a saquear tesouros pré-islâmicos do museu de Mossul e a explodir o sítio arqueológico de Nimrud, do século XIII. Também Hatra, uma cidade fundada há dois mil anos, sofreu às mãos dos jihadistas, que destruíram várias antiguidades a tiro.<_o3a_p>

Vários mausoléus foram destruídos em toda a Líbia desde o derrube do regime de Kadhafi, em 2011, através do uso de escavadoras e explosivos. Em 2012, os radicais islâmicos destruíram o maior, em Zliten. Em 2013, um ataque bombista foi dirigido a um mausoléu do século XVI em Tajura.<_o3a_p>

Em Março de 2001, o então líder dos talibans, Mohammed Omar, mandou destruir os dois Budas gigantes de Bamiyan, no Afeganistão. Tesouros arqueológicos com mais de 1500 anos foram considerados “anti-islâmicos” e, ao largo de 25 dias, as estátuas foram reduzidas a pó, primeiro com recurso a obuses e rockets e, depois, à dinamite. Em 2003, os Budas foram inscritos como património da UNESCO, "o que ajudou a preservar as feições e contornos que sobreviveram.”

<_o3a_p>Texto editado por Ana Gomes Ferreira