Ouro no tiro aos pratos, 24 anos depois do bronze do pai

Gabriele Rossetti quis "vingar" o pai, que, em 1992, foi do ouro ao bronze por ter falhado o último tiro. No Rio de Janeiro, o jovem não falhou um único.

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Gabriele Rossetti concentrado na sua prova no Rio de Janeiro PASCAL GUYOT/AFP

O italiano Gabriele Rossetti conquistou o ouro no tiro aos pratos masculino dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, sem falhar um único dos 94 tiros ao longo da competição. O feito foi conseguido 24 anos depois do pai, Bruno, ter conseguido o bronze nos Jogos de Barcelona de 1992, na mesma prova.

Há 24 anos, Rossetti tinha apenas três, mas sabe de cor o que aconteceu com o pai na cidade catalã. “ Perdeu duas posições no último tiro”. Ciente disso, na sua final de sábado contra o sueco Marcus Svensson, não vacilou no último tiro, movido por uma “pequena vingança”.

Bruno Rossetti é, actualmente, o treinador dos atiradores do país onde nasceu, a França. Como nenhum deles chegou à final, pôde assistir com a tranquilidade possível ao desempenho do filho. Fê-lo escondido atrás de um poste para que ninguém se aproximasse e o fizesse tirar os olhos da actuação de Gabriele.

“Ele é melhor que eu. Quando cheguei aos Jogos de Barcelona e vi tanta gente, assustei-me. Já Gabriele disse-me, um dia destes, que os Jogos são uma competição como as outras”, contou ao jornal El País, recordando que o filho começou a apaixonar-se pelo tiro aos sete anos, quando começou a pegar na sua espingarda.

Quanto a Gabriele não é só a medalha de ouro que leva de volta para Itália. Com raízes francesas, tem nos basquetebolistas gauleses Tony Parker e Boris Diaw, ambos jogadores da NBA, os seus ídolos. Conseguiu conhecê-los através do pai, que, por ser treinador dos atiradores franceses, está hospedado no prédio da comitiva gaulesa na Aldeia Olímpica.