As múltiplas vozes de Hugo Canoilas dentro e fora do MNAC

Debaixo do Vulcão é um projecto entre o filme e a exposição e estará patente no Museu Nacional de Arte Contemporânea do Chiado entre 18 de Novembro e 26 de Março de 2017.

<i>Endless Killing</i> (2008), acrílico sobre papel, 3,75 x 100m, na pedreira de Negrais
Endless Killing (2008), acrílico sobre papel, 3,75 x 100m, na pedreira de Negrais Rodrigo Peixoto
<i>Endless Killing</i> (2008), acrílico sobre papel, 3,75 x 100m, na pedreira de Negrais
Endless Killing (2008), acrílico sobre papel, 3,75 x 100m, na pedreira de Negrais Rodrigo Peixoto
<i>Endless Killing</i> (2008), acrílico sobre papel, 3,75 x 100m, na pedreira de Negrais
Endless Killing (2008), acrílico sobre papel, 3,75 x 100m, na pedreira de Negrais Rodrigo Peixoto
<i>Endless Killing</i> (2008), acrílico sobre papel, 3,75 x 100m, na pedreira de Negrais
Endless Killing (2008), acrílico sobre papel, 3,75 x 100m, na pedreira de Negrais Rodrigo Peixoto
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Debaixo do Vulcão é um projecto entre o filme e a exposição e estará patente no Museu Nacional de Arte Contemporânea do Chiado entre 18 de Novembro e 26 de Março de 2017. Foi a partir da obra BLOCO – Experiências in COSMOCOCA 'programa in progress' (1973-1974), trabalho de associação livre de som e imagem do artista plástico brasileiro Hélio Oiticica com o cineasta Neville de Almeida, e do livro Debaixo do Vulcão, de Malcolm Lowry, que Hugo Canoilas criou a exposição. Um trabalho que vai organizar numa série de intervenções dentro e fora do Museu Nacional de Arte Contemporânea do Chiado que formarão, depois, a exposição patente entre 18 de Novembro e 26 de Março de 2017.

Hugo Canoilas produz, a partir deste conjunto de referências e ideias, um filme que, segundo o artista, surge para “aglutinar todas estas forças do trabalho” e pelo “interesse no absolutamente outro” que se reflecte na sua obra. A relação entre as personagens principais do romance de Lowry, que tem vindo a trabalhar nos últimos anos, e o livro As Obras do Amor, do filósofo Seren Kierkegaard, que aborda várias perspectivas sobre o amor, foram a fonte de inspiração para a fita. “Existe aqui uma ideia de desdobramento que pode tratar o amor de uma pessoa por outra ou o amor do ponto de vista filosófico, a força motriz que faz as pessoas querer saber mais”, explica o artista.

Com experiência prévia no formato vídeo, este é o primeiro filme de Hugo Canoilas, mas este reitera que “se calhar nem se pode chamar assim, porque é composto de fragmentos autonomizados”, no sentido em que “a cena envolvente, a acção, a banda sonora e os posters” existem em si mesmos. As filmagens já estão terminadas e o artista espera agora "imergir no processo de edição".

Um dos cenários do filme foi a primeira intervenção do projecto, Morte Sem Fim, que decorreu a 16 de Julho numa pedreira desactivada da vila de Negrais. O cenário foi ocupado por uma pintura panorâmica da obra de Canoilas Endless Killing (2008), que “mostra a história da violência através da história da pintura e da ideia de que a pintura no passado retratava a vitória e opressão de um povo sobre outro”. Emília Tavares, curadora do MNAC – Museu do Chiado, diz que a iniciativa “foi muito interessante do ponto de vista estético e por ter sido integrada nas festas da vila trouxe algumas pessoas”. Segundo a curadora, “o próprio acaso de a pintura se ter rasgado com o vento permitiu ao Hugo desenvolver outras acções”.

Emília Tavares refere que o quase cinema dos anos 1970 de Hélio Oiticica, que junta a fotografia e o som e põe em causa o cinema narrativo e a atitude passiva do espectador, é muito importante para a “série de camadas de interpretação e significados” contempladas no trabalho apresentado. “Não há uma expressão narrativa ou ficcional pura de cinema, mas a ideia do ponto de vista da imagem fixa e dos dispositivos de projecção, Há um jogo de expansão de significados do próprio filme.”

Debaixo do Vulcão é o projecto da 2ª edição do MNAC/SONAE Art Cycles (programa de mecenato que apoia a criação contemporânea) e abrange várias expressões artísticas como o som, a pintura, o texto, o vídeo, a performance e a fotografia e procura o estabelecimento de uma “uma relação mais horizontal e participativa com o público”. Os fragmentos do trabalho de Hugo Canoilas, que farão parte de “outras intervenções antes e depois do evento em locais que nada têm a ver com instituições museológicas” serão reunidos na exposição até 26 de Março de 2017, num conjunto de momentos que pretendem repensar “as noções de tempo, espaço e recepção”.

Artigo corrigido às 14h19 do dia 12 de Agosto, rectificando que Debaixo do Vulcão não está incluído no MNAC/SONAE Art Cycles, mas é o projecto da 2ª edição do programa que de 2 em 2 anos convida um artista a desenvolver um projecto inédito de larga escala.