Sem prometer medalhas, Portugal leva experiência no tiro para o Rio de Janeiro

João Costa prepara-se para acrescentar, no Rio de Janeiro, a quinta presença olímpica a um currículo recheado de bons resultados. Desta vez, será o único representante nacional na modalidade.

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João Costa vai competir nas provas de pistola de ar comprimido a 10m e pistola 50m SÉRGIO AZENHA

Desde Barcelona 1992 que Portugal marca presença de forma consecutiva nas competições de tiro dos Jogos Olímpicos, num longo historial que começou com a participação de um quinteto em 1920, constituído por Hermínio Rebelo, Dário Cannas, António dos Santos, António da Silva Martins e António Andréa Ferreira. Este ano, João Costa é o único atleta da modalidade que integra a comitiva nacional. 

Em 16 anos de presenças olímpicas ininterruptas deste militar de profissão, Joana Castelão foi a única atleta a fazer-lhe companhia, na última edição do evento, em Londres (2012), nas provas de pistola a 10m e 25m. Desta vez, porém, as esperanças lusas no tiro estarão exclusivamente nas mãos de João Costa.

Aos 52 anos, é o atleta mais velho da missão olímpica portuguesa. Algo que não deve ser encarado como um entrave, já que o sueco Oscar Swahn tinha 72 quando, em 1920, em Antuérpia, conquistou a medalha de prata na prova de equipas do tiro com armas de caça.

João Costa tem um palmarés recheado com diversos títulos nacionais — é recordista em quatro variantes —, destacando-se ainda a nível internacional o terceiro lugar de pistola livre a 50m no Campeonato da Europa e o primeiro lugar na Taça do Mundo na mesma competição.

A 6 de Agosto irá marcar presença pela quinta vez consecutiva no maior evento desportivo do mundo, na prova de tiro com pistola de ar comprimido a 10m. Quatro dias volvidos dá-se a participação na prova dos 50m.
Na estreia em Sydney, João Costa obteve o sétimo lugar na pistola de ar comprimido a 10m e o 27.º na livre a 50m. Em Atenas piorou nos dez metros (17.º), mas melhorou na meia centena (12.º). Na altura em que era o líder do ranking mundial de pistola livre (2008), não figurou no top 10 de nenhuma das variantes, tendo conquistado a sua melhor prestação em Londres, cidade em que igualou o sétimo posto registado na Austrália.

Intimamente ligado à carreira de militar, João Costa teve o primeiro contacto com a modalidade aos 26 anos na Força Aérea, meia dúzia de anos antes da sua estreia em Atlanta. Sabendo que a Naval 1.º de Maio possuía uma secção dedicada ao tiro, inscreveu-se, representando o clube durante mais de 20 anos, antes da crise que os figueirenses atravessaram em 2013.

Rumou então ao Sporting, destacando o “tiro certeiro” que foi a aposta em Alvalade: “O Sporting investe mais em tiro num ano do que a Naval nos 20 anos em que lá estive”, revelou, recentemente.

Os treinos são feitos em casa, sozinho, depois de regressar da base de Monte Real. Na sua cave tem uma carreira de tiro de dez metros, onde para se ser bem sucedido é preciso “treinar com gosto”.

A modalidade é bastante exigente do ponto de vista mental, e os seus praticantes usam técnicas de relaxamento e de abrandamento da respiração para metade, de forma a garantir um disparo preciso. Paralelamente, os óculos utilizados na competição, para além da segurança que proporcionam, possuem uma tecnologia que coloca o alvo em contraste com o resto do ambiente envolvente, permitindo ainda um maior controlo da respiração para que haja estabilidade no momento do disparo.

João Costa partiu para os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro com a mesma postura de outros anos: reservado na hora de prometer medalhas, mas com a ambição de fazer a melhor prestação possível. “São os meus quintos Jogos, esperamos que sejam bons. As expectativas são as melhores possíveis, vamos lá para fazer o nosso melhor. É a história do costume, não vamos falar sobre medalhas, eu pelo menos não falo, porque não é essa a minha função, mas vamos dar o que temos.”

O actual 18.º classificado do ranking mundial de pistola 50m começou a sua “viagem” rumo ao Rio de Janeiro em 2013, com várias medalhas nas Taças do Mundo e Campeonatos de Europa. Em 2014, obteve mais uma medalha no Europeu de ar comprimido, o título de vice-campeão do mundo de pistola standard a 25m e foi vice-campeão na Taça da Europa, na mesma prova.

A confirmação da presença em solo brasileiro surgiu na Taça do Mundo de Fort Benning, nos Estados Unidos, disputada em Maio de 2015, quando conquistou o bronze na prova de Pistola de Ar Comprimido a 10m. O ano passado ficou ainda marcado pela medalha de prata em Pistola de Ar Comprimido a 10 metros na primeira edição dos Jogos Europeus — em Bacu, Azerbaijão — prova em que foi o porta-estandarte de Portugal na cerimónia de abertura.

Texto editado por Nuno Sousa