Douro Filme Festival celebra cinema analógico

Certame vai decorrer a 24 de Outubro e vão ser apresentados filmes rodados no formato Super 8 mm.

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A OPPIA, organizadora do evento, dedica-se à formação em vídeo em Super 8 mm e á projecção de filmes Fernando Veludo/NFactos

Uma câmara, um cartucho, uma bobine Super 8 mm e um tema: o Porto. Assim é há dez anos, desde que o Douro Filme Festival reavivou o passado e desafiou realizadores (e não só) a retratarem a cidade. Este ano, a 5ª edição do evento está marcada para 24 de Outubro, no dia internacional do Cinema Super 8 mm. Mais uma vez, o objectivo é “tentar trazer alguma poesia” ao cinema e ao Porto, referiu o director artístico da Oporto Picture Academy (OPPIA), Cristiano Pereiro, na apresentação do certame. 

Fundada no final do ano passado, a OPPIA vai convidar personalidades que podem ou não estar ligadas ao mundo da Sétima Arte para rodarem um filme sobre a cidade. Mas o 5º festival terá a particularidade de ser feito no feminino, só com mulheres que não têm de ser realizadoras e que só precisam de ter a “sensibilidade e espírito de síntese para conseguir transmitir em imagem aquilo que é a sua percepção do Porto", indicou Cristiano Pereira. O cinema no feminino será uma homenagem à realizadora Noémia Delgado que morreu em Março passado.

Os filmes vão ser rodados em Setembro e serão revelados em laboratórios na Alemanha. Serão depois apresentados a 24 de Outubro no Ateneu Comercial do Porto, 120 anos após a realização do primeiro filme português, Saída do Pessoal Operário da Fábrica Confiança, em 1896, pela mão de Aurélio da Paz dos Reis. 

O festival, que nasceu no Douro em 2006, mantêm-se como a única festa do cinema em película Super 8 mm em Portugal. E surgiu com o propósito de pôr a concurso um espólio de mais de 40 filmes realizados e que estavam encerrados nas suas películas. 

Na segunda edição, em 2008, foram convidados sete estrangeiros a viver no Porto, e sem qualquer experiência na arte do cinema, para fazerem um filme sobre a cidade “quase de forma espontânea”

Em 2010, o festival seguiu para o Cinema Batalha, onde foram apresentados sete trabalhos realizados por sete personalidades do Porto, para quem a cidade (quase) já não escondia segredos.

A última edição dividiu cenários entre a aldeia de Travassos na serra do Alvão, em Mondim de Basto, e o Porto. 

Texto editado por Ana Fernandes