Vodafone passa a ter um terço da Sport TV

No rescaldo de uma disputa de direitos, a operadora junta-se à Nos e à Olivedesportos na estrutura accionista.

PT e Zon garantem que não irão fechar o mercado a novo operadores de canais desportivo por subscrição
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PT e Zon garantem que não irão fechar o mercado a novo operadores de canais desportivo por subscrição Oxana Ianin/PÚBLICO (arquivo)

Há mais uma movimentação no jogo dos direitos televisivos do futebol. A Vodafone entrou na estrutura accionista da Sport TV, passando a partilhar o capital com a rival Nos e com a Olivedesportos.

As duas operadoras e a empresa de Joaquim Oliveira passam, assim, a ter um terço cada uma da Sport TV, que, para além da Liga Portuguesa de Futebol e da Taça de Portugal, transmite várias ligas europeias, entre as quais a inglesa e a espanhola. Além disso, a partir de 5 de Agosto, um novo canal de informação desportiva da Sport TV ficará disponível, sem necessidade de subscrição, em todos os fornecedores de televisão por cabo.

O anúncio surge na mesma semana em que a Nos (parcialmente detida pela Sonae, dona do PÚBLICO) e a Meo puseram fim a uma guerra de direitos televisivos do futebol, que teve início no ano passado. Ao abrigo do acordo, que também abrange a Vodafone e a Cabovisão, os operadores asseguram a disponibilização recíproca dos direitos de transmissão de eventos e canais desportivos, bem como a repartição dos custos associados a estes conteúdos.

Na sequência do entendimento, os clientes da Nos voltaram a ter acesso ao Porto Canal (cujos direitos pertencem à Meo e que tinha sido cortado), ao passo que os da Meo viram garantida a possibilidade de continuarem a ter acesso pago à Benfica TV, cujos direitos pertencem à Nos e que deverá transmitir, ao longo da próxima época, os jogos do Benfica em casa.

No final do ano passado, a Nos e a Meo anunciaram contratos para a transmissão dos jogos em casa de vários clubes, em contratos multimilionários e com duração de vários anos. A Nos assinou um contrato de 446 milhões de euros com o Sporting (por dez épocas a partir de 2018) e um de 400 milhões de euros com o Benfica (três anos com possibilidade de extensão, a começar já em 2016). Por seu lado, a Meo pagará 458 milhões de euros por dez épocas do FC Porto (também a partir de 2018). A Nos comprou também os direitos de transmissão de vários outros clubes, entre os quais o Belenenses, Paços de Ferreira, Sporting de Braga e Vitória de Setúbal, enquanto clubes como o Vitória de Guimarães e o Boavista assinaram com a Meo. A Vodafone optou por não entrar nesta disputa.

Em 2012 já tinha havido uma tentativa de criar uma estrutura accionista tripartida na Sport TV, dividindo o capital entre a Controlinveste (de Joaquim Oliveira), a Zon (que, com a Optimus, veio a dar origem à Nos) e a PT (dona da Meo e entretanto comprada pela Altice). A chamada “operação triângulo” foi proibida pela Autoridade da Concorrência. No mês passado, o regulador afirmou que desta feita pretende intervir na duração dos contratos com os clubes, para que estes não ultrapassem os três anos.

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