Sanções não têm "lógica" e crispação política deve-se ao calor, diz Marcelo

Presidente da República desvaloriza aumento da crispação política, afirmando que é habitual em todos os meses de Julho.

Marcelo Rebelo de Sousa já tem em mãos o Orçamento do Estado para 2016
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Marcelo Rebelo de Sousa já tem em mãos o Orçamento do Estado para 2016 Patrícia de Melo Moreira / AFP

Desdramatizar parece ser a estratégia do Presidente da República para encarar a ameaça de sanções da União Europeia a Portugal e este domingo até usou a ironia para comentar a aparente crispação que o assunto das sanções trouxe ao diálogo político entre a direita e a esquerda – a culpa é da “temperatura” da época, explicou.

De visita a Celorico de Basto, questionado pelos jornalistas sobre se a ameaça de sanções pela União Europeia faz aumentar a crispação política interna, Marcelo Rebelo de Sousa recusou essa avaliação e disse encontrar "na sociedade portuguesa um clima geral em que a crispação desapareceu". Porém, admitiu que, "como é habitual em todos os meses de Julho, - não sei se por cansaço, se é porque está a acabar o trabalho do Parlamento, se é porque há ali um espécie de acerto de contas a fazer em relação ao passado preparando o futuro – há uma subida de temperatura nos actores políticos”.

Esta “subida de temperatura” manifesta-se “no que se dizem, no que se chamam, naquilo que pensam ou não pensam mas dizem que pensam sobre o país. Isso tem que ser levado à conta da época, à conta do combate político que é natural e não se confunde com o estado de espírito do povo", desvalorizou o Chefe de Estado. Depois de um discurso à população em que puxou pelo espírito patriótico, Marcelo diria ainda aos jornalistas ser importante ter “auto-estima” e “confiança” porque além das dificuldades que já existem, “vai haver mais”. Confia, no entanto, que serão ultrapassadas se os portugueses trabalharem “em conjunto, respeitando as diferenças próprias da democracia, mas procurando a união no essencial”.

Apesar de toda a polémica, o Presidente considerou que não faz sentido pensar em sanções porque elas não têm a “mínima lógica”. "Penso que temos que esperar ainda pelas decisões que aí vêm. Quanto mais penso na matéria, mais considero que não há a mínima lógica em sanções", afirmou o Chefe de Estado durante a sua primeira visita oficial ao concelho, precisamente seis meses depois do dia das eleições, para inaugurar um hotel e participar nas festas de Verão. Foi em Celorico de Basto, terra dos avós paternos, que Marcelo anunciou a sua candidatura, na biblioteca municipal que também tem o seu nome. Depois de ter sido presidente da Assembleia Municipal entre 1997 e 2005, ainda se mantém ali recenseado.

O Presidente da República reafirmou que não há “lógica” nas sanções porque essa decisão, então, "ou é contra o Governo de Passos Coelho por causa de [uma falha no limite do défice de 2015 de] 0,2% muito discutíveis, quando há diferenças muito maiores - houve no passado e há no presente - noutras economias que nunca foram punidas; ou é contra o Governo de António Costa por causa da gestão do orçamento deste ano", mas cujos resultados só se saberão no fim do ano.

Contudo, o chefe de Estado sublinhou que, no caso deste ano, "os resultados até Junho mostram que não há uma derrapagem orçamental – e até veio cá uma missão da Comissão Europeia ver o que se passava”. “Se [uma sanção] não faz sentido ser em relação ao passado e não faz sentido ser em relação ao presente, então qual é o sentido das sanções? Mas vamos esperar", sustentou.

Este tema será, "naturalmente", abordado esta segunda-feira nas audiências que terá com todos os partidos políticos com assento parlamentar, confirmou Marcelo Rebelo de Sousa. Hoje, o Presidente da República recebe no Palácio de Belém, e por esta ordem, o PAN (Pessoas, Animais e Natureza), o Partido Ecologista Os Verdes, PCP, Bloco de Esquerda, CDS/PP, PS e PSD, entre as 12h e as 18h. Para terça-feira estão marcados alguns parceiros sociais a partir das 14h: CGTP, Confederação Empresarial de Portugal (CIP), Confederação do Comércio e Serviços de Portugal (CCP) e Confederação do Turismo Português (CTP).

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