"Trump é o melhor para a Europa", diz Viktor Orbán

É o primeiro líder europeu de um membro da UE a expressar publicamente o seu apoio ao candidato conservador na corrida à Presidência dos EUA.

Viktor Orban regressou ao cargo de Primeiro-ministro em 2010
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Viktor Orban regressou ao cargo de Primeiro-ministro em 2010 BERNADETT SZABO/REUTERS

Donald Trump já tem pelo menos um admirador entre os líderes europeus. Viktor Orbán, primeiro-ministro da Hungria, expressou no Sábado apoio ao candidato republicano à Presidência dos Estados Unidos.

“Nunca pensei que acabaria por achar que Trump seria a melhor opção para a Europa e para a Hungria”, afirmou no discurso anual, transmitido pela televisão húngara, com que encerra a universidade de Verão do seu partido Fidesz, na cidade romena de Baile Tusnad.

O primeiro-ministro da Hungria ouviu com atenção os discursos de Trump, nomeadamente aquele com que este fechou a Convenção do Partido Republicano, que decorreu esta semana em Cleveland, Estados Unidos, e ficou agradado com as propostas apresentadas pelo candidato para combater o terrorismo. “Como europeu, não poderia ter articulado melhor aquilo de que a Europa precisa”, defendeu Orbán.

Trump prometeu aumentar os esforços dos serviços de inteligência e suspender a entrada de imigrantes oriundos de países “ligados ao terrorismo”.

É nesse ponto que o discurso de ambos encontra um sentido comum. Orbán tem sido uma das vozes mais polémicas no que toca à recente crise migratória na Europa. O primeiro-ministro húngaro já associou repetidas vezes a entrada de milhares de migrantes na Europa com os recentes atentados ocorridos no continente.

E se Donald Trump prometeu construir um muro na fronteira com o México, Orbán já colocou em prática um plano semelhante. No Verão passado, enquanto a Europa mobilizava esforços para receber os milhares de migrantes que chegavam, a Hungria ergueu uma vedação em parte da sua fronteira a Sul.

Em 2015, passaram pela Hungria cerca de 400 mil migrantes. Dos cerca de 199 mil pedidos de asilo apresentados ao país, apenas foram aceites 264. Orbán anunciou no início deste mês que, em Outubro, os húngaros serão chamados a decidir em referendo sobre o plano europeu de distribuição de refugiados pelos membros da União Europeia.

“A imigração é uma ameaça. Aumenta o terrorismo e o crime. A migração em massa muda a identidade cultural europeia”, afirmou ainda Orbán no seu discurso. “A Europa devia ouvir as propostas de Trump para combater o terrorismo”, defendeu. “Para restaurar o sentimento de segurança na Europa, a União Europeia tem de fortalecer a forma como lida com o fluxo de migrantes do Médio Oriente e do Afeganistão.”

O Financial Times destaca que este é, até ao momento, o mais directo apoio a Donald Trump por parte de um líder europeu.

Desde que regressou ao poder em 2010, depois de ter ocupado o mesmo cargo de primeiro-ministro entre 1998 e 2002, Viktor Orbán tem sido alvo de críticas da União Europeia e mesmo dos Estados Unidos, sobretudo pela aplicação de medidas de centralização do poder e pelas tentativas de controlo de grupos cívicos.

O New York Times recorda que, em 2011, quando ainda era secretária de Estado, Hillary Clinton visitou a Hungria. No final, a agora candidata à Presidência norte-americana pelos Democratas, expressou a preocupação dos Estados Unidos relativamente à corrupção governamental, à liberdade de imprensa e à independência do poder judicial na Hungria.

As declarações de Orbán surgiram no mesmo dia em que, numa entrevista ao canal de televisão NBC, Donald Trump lançou algumas farpas à União Europeia, referindo que esta só foi criada para “bater os Estados Unidos no que toca a fazer dinheiro”.

O candidato republicano criticou ainda a NATO, referindo que os membros deveriam pagar mais aos Estados Unidos para que o país garanta as suas obrigações de defesa mútua, e a Organização Mundial de Comércio, que considerou um “desastre”.