Londres e UE estudam "travão de emergência" para conter a imigração

Medida permitiria garantir ao Reino Unido o acesso ao mercado único nos próximos sete anos.

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May foi a Paris no dia 21 falar com Hollande. A França estará a resistir ao "travão de emergência" Philippe Wojazer/Reuters

Vários membros da União Europeia e o Reino Unido estão a trabalhar num projecto que permitiria a Londres accionar o “travão de emergência”, restringindo a entrada de imigrantes durante sete anos, ao mesmo tempo que lhe daria acesso ao mercado único, avança o The Guardian.

O anterior Governo conservador de David Cameron já tinha negociado com Bruxelas esta excepção à livre circulação de pessoas para o Reino Unido, mas segundo altos responsáveis britânicos e da UE ouvidos pelo jornal, o que está a ser agora analisado vai ainda mais longe. Isto, apesar das resistências iniciais que o Presidente francês, François Hollande, manifestou durante as conversações que teve na semana passada com a primeira-ministra britânica, Theresa May.

A fórmula, que teria um prazo para estar em vigor, responderia para já às preocupações dos eleitores britânicos que votaram a favor do “Brexit” sobretudo devido à questão da imigração, ao mesmo tempo que permitiria ao Reino Unido o acesso ao mercado europeu, limitando o choque económico que a saída do país da União Europeia deverá trazer. E também atenuaria os danos políticos para o projecto europeu que resultariam de um divórcio total, adianta o Guardian.

Mas Londres teria de continuar a garantir a sua contribuição para o orçamento europeu (outro dos argumentos usados na campanha para defender a saída), embora provavelmente a um nível mais baixo; e perderia o seu lugar à mesa das negociações onde se tomam decisões sobre o mercado único, uma vez que não seria um membro de pleno direito da UE.

A BBC noticiou no sábado que, dias antes do referendo de 23 de Junho, o então primeiro-ministro David Cameron telefonou à chanceler alemã, Angela Merkel, pedindo concessões na livre circulação de pessoas, mas que a ideia acabou por ser abandonada.

Em resposta ao artigo do Guardian, o presidente do Partido Conservador, Patrick McLoughlin, comentou à estação de televisão BBC que o resultado do referendo terá de ser respeitado, tornando os britânicos soberanos sobre as suas fronteiras de forma a reduzir a imigração. McLoughlin adianta que o Artigo 50 do Tratado de Lisboa, que inicia formalmente o processo de saída, será certamente accionado antes das próximas eleições legislativas, previstas para 2020.

O Reino Unido pretende apresentar no próximo Outono um plano de relançamento para controlar os danos económicos do “Brexit”, avançou o ministro britânico das Finanças, Philip Hammond, citado pela AFP. Mas “uma certa dose de incerteza” persistirá “até ao final” das negociações com Bruxelas.