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Parsifal abre Bayreuth 2016 marcado por especiais medidas de segurança

Festival dedicado às óperas de Richard Wagner decorre na Baviera entre esta segunda-feira e 28 de Agosto.

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Palácio do Festival de Bayreuth DAVID EBENER/ AFP

Uma nova encenação da ópera Parsifal, que – dizem – promete provocar polémica, e especiais medidas de segurança motivadas pelos acontecimentos recentes na Alemanha marcam o início da 105.ª edição do festival de Bayreuth, que decorre entre esta segunda-feira e 28 de Agosto.

O ataque perpetrado sexta-feira, em Munique, por um jovem germano-iraniano que vitimou nove pessoas e deixou dezenas de feridos, antecedido pela acção de outro jovem, há uma semana, que feriu também várias pessoas que seguiam num comboio igualmente na Baviera, justificam a decisão da direcção do festival de Bayreuth de rodear a edição deste ano de especiais medidas de segurança.

Além de terem sido privados da tradicional cerimónia de abertura, os frequentadores deste festival, que há mais de um século foi fundado por Richard Wagner (1813-1883) para palco exclusivo das suas óperas, vão ser obrigados, à entrada do famoso teatro na Colina Verde, a identificar-se e a deixar de lado sacos, malas ou mesmo almofadas.

“É um golpe muito duro para toda a Baviera”, disse sábado à AFP Horst Seehofer, o presidente desta região alemã, comentando os atentados da última semana, e justificando o cancelamento do programa de abertura, este fim-de-semana, por respeito para com as vítimas e os seus familiares.

Este ano, e ao contrário do que tem sido habitual, a chanceler Angela Merkel tinha já anunciado que, por razões de agenda, não compareceria no festival – que anualmente é o lugar de encontro da elite política e económica da Alemanha, e não só.

Já no que ao programa diz respeito, a polémica que habitualmente acompanha cada edição do Festival de Bayreuth parece estar assegurada. Segundo a AFP, a nova produção da ópera que fará a abertura do programa, Parsifal, não deixará de causar controvérsia – fala-se de uma coreografia que veste com burqas as ninfas que seduzem os cavaleiros do Graal, e a personagem de Parsifal (interpretada pelo tenor Klaus Florian Vogt) com um uniforme militar...

Ninguém ainda viu o espectáculo, e o encenador Uwe Eric Laufenberg nega os rumores de que se tratará de uma versão crítica do islão. Mas a espectativa e a polémica estão lançadas.

Mais ainda depois de, no início de Junho, o maestro letão Andris Nelsons ter abandonado os ensaios – segundo a AFP – em protesto, entre outras razões, contra as medidas de segurança que estavam então já anunciadas para o festival, e que ele terá classificado como “totalmente idiotas e absurdas”. Mas corre também a versão de que Nelsons, que se prepara para ir dirigir a Orquestra Gewandhaus de Leipzig, acumulando com o seu lugar na Orquestra Sinfónica de Boston (EUA), terá batido com a porta em ruptura com o director musical do festival, o maestro alemão Christian Thielemann.

Em consequência destas mudanças, Parsifal será dirigido, esta segunda-feira, pelo alemão Hartmut Haenchen, um especialista na obra de Carl Philipp Emanuel Bach. E aquela que, com a tetralogia O Anel do Nibelungo (O Ouro do Reno + A Valquíria + Sigfried + O Crepúsculo dos Deuses), é a mais famosa obra de Wagner vai voltar a subir à cena no Palácio do Festival de Bayreuth mais cinco vezes, cabendo-lhe, de resto, fechar o calendário, a 28 de Agosto. Até lá, e ao ritmo de praticamente um espectáculo por dia, passarão as outras óperas do grande compositor alemão: O Holandês Voador e Tristão e Isolda.

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